Sou árvore, não sou flor.

Eu poderia falar baixo, ser mais delicada, mais feminina, ser menos expansiva, podar os meus galhos, minhas raízes, minha essência todinha …
Pra me encaixar na caixinha que você construiu pra mim…
Mas que se eu coubesse nela, você não me amaria, porque parte do seu amor é a expectativa que você criou sobre mim
Eu podia ser sua menina, não porque você precisa, mas pra suprir meu vício por você ;
e o seu fetiche
Existe amor suficiente para sacrifícios…
Curar suas inseguranças e matar sua vontade por domínio
Eu já te dei indícios, existe amor suficiente pra você…
Pra fingir, me submeter, ser a flor delicada que você espera de mim
Mas eu não conseguiria viver,  eu não sou flor, sou árvore, meu amor transbordaria, meus frutos apodreceriam, minhas raízes amoleceriam, e toda minha essência reprimida vazaria pela caixa, escorreria, num grande desperdício do que eu poderia ser.
E eu reprimida morreria, meus galhos quebrados, todos bem encaixados, diminuídos, pra caber no molde que você criou, e me colocou, dizendo que era amor.
Meus olhos vazios, coração partido, tristeza estampada de quem tentou
abrir mão de si mesma em nome do outro.
Eu me perco e não me encontro
Se eu te amar do jeito intenso que eu consigo, eu te tenho mas não me acho,
alimento meu vício, pouco a pouco me mato
Tanto amor pra você e não vai sobrar amor pra mim.
Meu amor é livre, independe de nós dois
Mas só por racionalidade eu preciso que você prove que sim, que pode amar também por dois
Me deixe ser
Porque não posso amar sozinha
Não mostre que morre por mim, mas viva …
Liberte-se, e entre ficar e partir, prefira viver
Morrer de amor não é amor, não ao menos por você,
Então viva…
Eis a grande ironia da vida… Se eu abrir mão de mim, por você, se eu te der amor,
Antes uma briga!
Se eu te der meu amor…se eu te der todo o meu amor, não vai sobrar nem um pouquinho pra eu dedicar a mim mesma.
E isso eu não posso não.
Eu sou árvore, não sou flor, minhas raízes se espalham pelo chão, eu faço sombra
protejo da chuva, mas também atraio o trovão.
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