Parem de tratar suas filhas como prostitutas de um homem só!

As circunstancias em que Michel Temer conheceu sua hoje esposa Marcela Temer, fez com que diversas pessoas ficassem horrorizadas, chegando a chamar a mãe de Marcela, que na época tinha apenas 17 anos(enquanto ele era 43(!) anos mais velho), de cafetina, visto que ela não só aprovou, como intermediou o encontro quando a filha ainda era menor de idade.

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A ironia é que mesmo as pessoas que criticam esse intercâmbio, onde se trocam corpo e juventude por poder ,dinheiro e influência, não conseguem perceber que essas situações são extremamente corriqueiras e comuns na nossa realidade.

Recentemente presenciei uma situação em que duas irmãs levaram seus respectivos namorados para um evento familiar. Ambos os rapazes pareciam de excelente caráter e tratavam suas namoradas com o mesmo amor e dedicação, mas houve uma diferença nítida de tratamento: A passo que o namorado mais bem sucedido financeiramente e costumaz  na prática de presentear era tratado como filho e familiar íntimo, o outro, bem mais humilde e discreto em suas demonstrações de afeto, chegou à beira de ser hostilizado.

Toda mulher depois de uma certa idade, presencia a preocupação dos pais com relação às escolhas que ela fará para a própria vida; dentre os conselhos principais, sempre se frisa o fato de “ficar longe de homem que não presta”, e no perfil do homem que não presta, incluem-se bandidos, ou qualquer tipo de homem que possa representar ameaça física ou qualquer tipo de mau estar, e creio que ninguém enxerga absolutamente nada demais nessa preocupação dos pais com relação às suas filhas.

O grande problema aqui é o equívoco em torno do que vem a ser um “homem bom para se relacionar”, e muitas famílias associam a qualidade de um homem ao poder de compra que ele possui, e esse poder de compra por sua vez, é validado através de presentes caros, posses e ostentação, como se o fato de um homem poder prover financeiramente a mulher com quem se relaciona, valide imediatamente seu caráter, chegando inclusive a ter uma licença para objetificá-la , humilhá-la, e causar nela qualquer dano emocional sem qualquer tipo de ônus.

Não é preciso ir muito longe pra conhecer diversas mulheres que compraram brigas homéricas com as próprias famílias ao terminarem o relacionamento com os pseudo-homens perfeitos, porque ainda que qualquer família considere prostituição um ato amoral, oferecer a própria filha em troca de dinheiro e outras regalias, parece extremamente louvável, como se o bem estar envolvesse exclusivamente o poder de aquisição que uma mulher possui, excluindo-se totalmente o bem estar emocional.

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Não é preciso ir muito longe pra conhecer mulheres que passaram verdadeiros infernos emocionais nas mãos de seus parceiros, que foram humilhadas, menosprezadas e violentadas, mas que quando buscaram ajuda no seio dos próprios familiares, foram hostilizadas, porque acredita-se que dinheiro é um cala boca potente pra tudo, e “por dinheiro se aguenta e se releva tudo”.

Não é preciso ir muito longe pra conhecer mulheres que foram desmoralizadas pelos próprios pais, porque quando resolveram terminar o relacionamento com os homens perfeitos que traziam presentes, foram acusadas até mesmo de “não merecer nem o dedo mindinho desses homens”, porque nunca interessou se no íntimo da relação essas mulheres passavam por humilhações e abusos emocionais, nunca interessou pra família se essas mulheres no decorrer da relação, foram diminuídas em suas dignidades unicamente porque o dinheiro era usado como “cala-bocas” e os presentes caros eram métodos eficientes pra manipulação e opressão, criando dívidas de gratidão da namorada com o tal do “príncipe encantado”.

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Não é preciso ir muito longe pra conhecer mulheres que viraram moeda de escambo nas mãos dos próprios pais, que incentivavam relacionamentos doentios, destrutivos e abusivos e faziam vista grossa pra realidade porque o genro “Príncipe encantado” era ótimo em ostentar uma vida bem sucedida  pra fazer inveja pra aquele vizinho, ou pra aquele parente distante e metido.

Que os pais que observam os crescimento de suas filhas, saibam observar um namorado bem sucedido e enxergar além das possibilidades financeiras, porque muito mais do que qualquer dinheiro e status, o importante é a mulher estar na relação por vontade própria, é ter o emocional sadio e estar em uma relação sadia, onde troca de presentes são demonstrações de carinho e afetos genuínos, e não algemas modernas . E na hora que ela desejar cair fora, seja por qual for o motivo, que os pais saibam acatar e respeitar, porque em uma relação, quem tem que saber se está bom e confortável, é o casal; e ninguém é insubstituível ou indispensável: Se um “namorado bom” se perder, outros bons virão, e o critério de escolha é todo do mulher, porque filhas não são commodities, e não vieram ao mundo pra serem investimento de pais, que frustrados com os próprios planos por sucesso financeiro, esperam que as elas sejam os passaportes para ascensão a uma classe social mais abastada do que aquela que eles conseguiram fazer parte.

Ainda que seja por um homem só, a partir do momento em que o corpo de uma mulher vira moeda de troca pra bens materiais, estipula-se um comércio,uma relação de prostituição. Tudo bem se a própria filha não se importar em estar nesse papel, mas se ela não quiser, que não sofra hostilização e repressão por causa da família, porque a gente aponta o dedo pra ver os absurdos que acontecem nas relações familiares dos outros, mas os cafetões podem estar bem perto de nós, carregando até o mesmo sobrenome.

Ah… Você teve um filha esperando que ela cuidaria de você no futuro e te garantiria uma aposentadoria mais confortável financeiramente?

Incentive-a a estudar, incentive-a a trabalhar e conquistar a própria autonomia, porque uma mulher auto suficiente pode ser qualquer coisa, inclusive feliz em uma relação igualitária  onde só se troca amor por amor.

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7 comentários

  1. Muito bom o texto, Estela, no qual vc investe sobre duas ideias feitas que pouco vejo serem contestadas.

    A primeira, que é o tema do texto inteiro, é o ‘dogma’ que a família é a coisa mais importante, que sempre vai te entender/acolher, enfim, que será sempre perfeita. O seu texto dá N exemplos de que nem sempre é assim. E quem enfrenta um processo de partilha também aprende que isso não é automático mesmo!

    A segunda, já ao final, é a ideia de que uma das funções de ter filhos é que eles cuidem dos pais na velhice. Uma vez tive até uma discussão com uma mulher que estava preocupada em ter um filho antes de chegar aos 30, para ter quem cuidasse dela na velhice; eu retruquei que isso não é uma coisa que ela pudesse determinar, mas ela batia pé dizendo que é assim e pronto. A partir daí, parei de discutir este e temas assemelhados; se a pessoa acha aquilo, é um problema dela, não meu.

    • Bem, eu não soube como interpretar o que você disse mas creio que não há uma competição no feminismo pra definir quem é mais forte e mais fraca. Todo mundo segue seu processo de desconstrução a solo e se a preocupação maior ao invés de aprender coisas que nos tornem seres humanos melhores, é parecer mais ou menos feministas, então já começou errado. O que são nomes? Existe uma carteirinha do clube das feministas que as pessoas deveriam possuir ou não? Porque se existe, eu tô bem fraca mesmo, porque não tô nem sabendo

  2. Não vejo mulheres lutando para serem iguais ao cara que debaixo de um temporal, vai mexer com fios elétricos energizado partidos. As feministas quem ser CEOs, deputadas, “presidentas”. Igualdade é o ralar como o homem rala, desde que o mundo é mundo, para pelo mérito, esforço, persistência, e competição progredir. Não tivemos cotas, nem mimimi ao nosso favor para construir a civilização que construímos. Qualquer violência é detestável! Não apenas aquela feita contra mulheres. A geração de feministas dos anos 60 com muito esforço conseguiu ter voz. As de hoje são pessoas violentas, mal humoradas, fedidinhas, e mal amadas. Querem as coisas porque….são mulheres. Não dá! Compitam, ralem, disputem, se imponham pela capacidade, e não pelo chororô. E como bem disse o Joe, lutem pelas mulheres que realmente precisam, e não por uma ideologia que põe o macho como um inimigo.

    • Então expanda seus horizontes. Te apresento uma que sustenta dois filhos(mais um adotado) sendo pedreira, e ainda bancou o ex marido bebum enquanto ele se recuperava de um câncer na boca (em decorrencia do excesso de cigarro e bebidas) e assim como ela, conheço várias outras mães solteiras que batem laje e lavam cuecas de marmanjo com a mesma desenvoltura. Não é porque você tem o universo limitado e não conhece mulheres assim, que elas não existem. Em tempo, os homens conhecem o feminismo que lhes convém, e qualquer um que estuda o mínimo, sabe muito bem que feminismo é sobre direitos iguais e igualdade de oportunidades. Não colocamos homens como inimigos, embora eu não ignore o fato de que mulheres que sofreram violência nas mãos de homens a vida inteira, e que sempre tiveram péssimos referenciais do sexo masculino, automaticamente criem uma aversão a eles. Quero ver qualquer homem que sofra abuso conseguir agir com serenidade diante disso.
      Do mais, tudo que você tá falando não faz sentido, porque lhe falta no mínimo uma vagina entre as pernas pra ter a menor noção de como o feminismo deve ou não ser vivido. então dá licença, né?

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