Amar não é coisa pra medrosos

Um bom sinal de imaturidade é acreditar que o mundo gira em torno de nós e que as pessoas vivem pra nos servir, tão logo começamos a chorar contrariados. Quando somos crianças isso é comum, e é comum inclusive a ânsia para que cresçamos, e à medida e que tomamos consciência de que o mundo não é do jeito que a gente quer, a maturidade vai nos atingindo.

Em algum momento da nossa adolescência a gente lê ou ouve que o primeiro passo pra não sofrer no amor, é escondendo aquilo que se sente; então a gente passa boa parte da juventude se reprimindo, e quando não conseguimos controlar nossos impulsos, tendo pequenas crises de sinceridade, demonstrando nosso sentimento, nos sentimos fracos, patéticos, porque fomos lembrados que somos obrigados a se conformar com o não, somos lembrados que muito mais do que se conformar em não ter, também devemos não sentir, devemos não demonstrar insatisfação.

Com o tempo nos tornamos mestres nessa arte enrustir, e de tanto incentivar nossa apatia, nos tornamos apáticos realmente, racionalizando os sentimentos, nos tornando seletivos  e frios, descartando e desumanizando pessoas…

Toda aquela beleza, toda aquela espontaneidade que tínhamos quando éramos crianças e não reprimíamos desejos e sentimentos, se perde, nos tornamos sem graça, frios, engessados, alguns arriscam dizer até, que nós tornamos amargurados.

Só depois de muito tempo, quando o ceticismo já nos privou de enxergar a beleza das coisas, quando o frio na barriga da paixão e do desconhecido passou a ser coisa do passado, é que percebemos o quanto, mesmo no auge da nossa maturidade, ainda podemos ser infantis.

É só depois de muito tempo, e de muita sabedoria adquirida que percebemos que podemos ser quem quisermos, que os julgamentos vem de nós mesmos, e que expor sentimentos é preciso.

Forte não é aquele que não sente, aquele que guarda os sentimentos em um lugar escuro de si mesmo pra não se machucar; forte é quem tem a coragem pra se expor, a maturidade pra mergulhar em um relacionamento sem medo, e a serenidade pra perceber que se caso algo der errado, existem mil possibilidades pra fazer as coisas serem diferentes.

Não existe nada mais sábio do que assumir a fragilidade em si mesmo, em mostrar as próprias limitações, em dizer que ama e tem medo de sofrer sem medo de parecer patético, por saber que todo mundo é meio patético quando ama.

E acima de tudo, aprender a distribuir o amor que é inerente a qualquer ser humano, que sai pelos poros e transborda; amor esse que quando é reprimido, vem à tona de forma intensa, devastadora, feito represa arrebentada, e que costuma assustar aqueles que assim como nós, perdeu a pureza original e foi ensinado desde criança de que sentimentos são algo para ser escondido, o que é uma pena porque a capacidade de dizer que se ama, que se sente saudade, que se precisa…Transcende a palavra, e dá um brilho nos olhos e uma iluminação pra aura que dificilmente eu vejo em gente adulta demais, porque muitos ainda não chegaram ao ponto de abrir mão do orgulho pra não morrer de saudade.

 

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