Você , que nunca ousou ser só seu.

Você…

Que se deixou vigiar esperando ser vigiado;

Se privou esperando  privar;

Mendigou amor esperando se amar.

Mas não!

Ela te fez, te criou pra te libertar,

Enquanto você?

Ah você só queria estar preso, livre de si mesmo!

Deu a ela tanto amor, que pra si próprio faltou;

Semeou tristeza buscando apenas ser feliz;

Impôs a ela toda sua verdade, enquanto tudo em você eram mentiras;

E de tanto amor, acabou o amor.

O dela, não o seu. O amor morreu.

Morreu não! Foi assassinado!

…E não foi ela, Foi você!

Você que a acusava de não te amar, de não sofrer…

E ela amava… Tanto!

O suficiente pra te aturar até o último segundo , sua felicidade pra ela acontecendo o fim do mundo;

Justo ela que era quem te coloria, mesmo sabendo que você deveria ser colorido por si só;

E você?

Você que a fez acreditar não ser digna da sua companhia;

Você que a fez crer que estava com ela por dó;

Você que a fez crer que era muito melhor;

Você… Você sabia que ela viveria muito melhor sem você.

Mas você que a “amava” tanto, não a deixou perceber.

Ei! Ela quem sofreu!

O suficiente , uma dor de parto…

Ela te tirou de suas entranhas pra finalmente te libertar, pra te dar a vida que você nunca quis, mas sabia precisar;

Pra te livrar da prisão em que você os prendeu voluntariamente, e que diferente dela, você se entregou conscientemente.

Gesto altruísta demais pra  alguém que você acusou de egoísta demais;

Você a machucou, bem mais do que ela a você, mas enquanto ela te desejou felicidades, você praguejou, fez ela querer morrer;

Mas morta ela já estava do seu lado;

Fazendo-a acreditar que ela era a vilã, quando na verdade você era o único a violentá-la;

Foi você na sua ânsia de ser amado eternamente, que matou o amor cedo por demais;

Você que um dia até sonhou ser bom  e se bastar, mas seu amor próprio nunca foi o bastante;

E ela partiu, como quando aos três anos de idade, você acreditou que sua mãe tinha partido também;

Mas enquanto sua mãe não tinha ido a lugar algum, ela foi a todos os lugares que você a impediu de ir, apenas por capricho mero capricho, apenas porque a amava.

E ela deu a você mais uma vez a chance de pertencer somente a si mesmo;

A chance de estar tão preso à própria liberdade, que jamais se algemaria a ninguém;

Ela partiu, e te deu a chance de engolir o choro e ouvir a voz da sua consciência te dizendo que você não está sozinho;

Mas eis que outra veio, e ai está você dando satisfações mais uma vez, no único intuito de receber satisfações;

Com essa sua suavidade que sufocará em breve, e esse seu jeito solicito que tem o único objetivo de obter toda a vantagem que puder.

Tudo isso unicamente porque você foi de todo mundo, mas nunca ousou ser só seu

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