Gourmets- Experimente… NÃO SER UM IDIOTA

Oi? Eu sou a Estela, tenho 28 anos e nunca comi no Outback.

Dizem por ai que quando a gente vai lá, não gasta menos de oitenta reais por pessoa, mas a comoção em torno desse lugar me deixa curiosa de forma tal, que eu confesso, até já abandonei os preconceitos quanto a esses clichês da Classe emergente e me vi disposta a experimentar.

Imagino que pelo sucesso, serei servida por australianos musculosos de sunga, que colocarão costelinhas com molho barbecue na minha boca, enquanto um outro australiano bonitão massageia meus pés , um terceiro me abana com alguma folha de alguma árvore australiana super rara, enquanto uma banda famosa australiana toca exclusivamente pra mim. Por enquanto é só especulação, isso porque já fiquei esperando por um espaço ao sol do Outback muito tempo e sempre acabo desistindo. Mas algo no meu íntimo me diz que não há algo tão absurdamente, fodasticamente fenomenal, que justifique o preço ridículo e a espera mais ridícula ainda pra entrar nesse lugar. Os australianos gostosos de sunga, são tudo fetiche maluco meu, infelizmente.

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Já cheguei a me perguntar inclusive, como um lugar caro e com uma espera tão longa, (o que pra mim caracteriza por si só,um péssimo  atendimento), pode fazer sucesso ainda assim. Quando eu lembro que trata-se de uma empresa gigante,uma Multinacional que provavelmente conta com uma parte especializada pro marketing e teoricamente faz todo um estudo de seu publico visando promover uma boa experiência e angariar mais dinheiro, concluo por fim, que os grandes propagandistas desse lugar são os idiotas que pagam caro pra entrar e passam horas na fila pra comer uma cebola empanada que algo me diz, não deve ter nada de especial.

Ainda sobre estabelecimentos super estimados, não consigo não citar certa ocasião acontecida recentemente: Fui a contra gosto a uma dessas “Hamburguerias”, a tal de General Prime Burguer(aliás, fuja de Hamburguerias, cervejarias, caralherias…Sério cara, você não precisa disso!),  me deparei com um cardápio repleto de lanches que custavam no mínimo trinta reais. Me senti rica por um instante e até me dispus a pagar, acreditando que me depararia com o melhor Hot Dog da minha vida. Qual foi minha surpresa ao, depois de meia hora esperando, ser “ofendida” com um lixo de PÃO COM SALSICHA e um molhinho vagabundo de nome bonito, mas com o mesmo gosto de  Salsaretti de qualquer Hot Dog de Três reais(aliás, os de três reais completaços com certeza são melhores). Juro que fiquei procurando as cameras, aguardando por um apresentador pouco engraçado me dizendo que era pegadinha, mas não, não era. EU PAGUEI TRINTA REAIS POR UM CACHORRO QUENTE PÃO, SALSICHA E MOLHO!

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Pior do que ter sido feita de otária, foi o comentário de uma pessoa que foi comigo: ” Mas você leu os ingredientes, sabia que não vinha nada no lanche e ainda assim escolheu, logo o problema é seu!”. Fora o funcionário que me olhou com desdém e disse que “eu escolhi o lanche mais simples” (leia-se “um dos mais baratos”) e olha que  estamos falando de um lanche seco, sem refrigerante nem batata fritas ou qualquer acompanhamento, que custa TRINTA REAIS!

Sim! O funcionário, que provavelmente não ganha suficiente nem pra bancar ele mesmo um dos pratos que ele produz, me recriminando porque eu estava reclamando de pagar por um lixo de produto após esperar meia hora pra comer um pão com salsicha seco.

Não meu querido, quando a gente se dispõe a pagar caro em um lanche que demora meia hora pra chegar, a gente espera que virá um lanche foda, e que a experiência será foda. Temos sim o direito de reclamar nossa frustração, a gente tem sim o direito de se indignar. Oferecer um lixo de produto com uma cara de cinismo usando o “valor da marca” pra justificar o preço exorbitante, é filha da putice, porque atrelado à marca, tem que haver algum tipo de valor agregado para o cliente, e os preços das ações da empresa na bolsa de valores, não fazem a mínima diferença pra quem entra no estabelecimento querendo matar a fome.

Muitos cretinos metidos à besta se valem do discurso marketeiro dessas empresas Gourmets, dizendo que quando pagamos caro em uma comida, pagamos pela boa experiência, e não por um produto em si. Mas eu gostaria de saber quem é que , pagando trinta reais em um lanche pão e carne, esperando pra caramba pra receber essa porcaria,consegue ter uma boa experiência. Pago com gosto sim, pra conhecer uma comida de um país diferente, uma cultura diferente, uma experiência diferente, mas não existe nada que me convença  que entrar em um estabelecimento que oferece produtos COMUNS com nomes bonitos por preços altos, é a maior prova da idiotização a qual os brasileiros estão expostos e dispostos.

A conivência desse tipo de gente com o discurso marketeiro das empresas, só me faz concluir como os Brasileiros, especificamente os paulistanos, são equivocados. Se acham livres, acham que têm poder de escolha, acham que são fodas, que têm senso crítico,mas engolem goela abaixo quando uma empresa soca um lixo de produto sob o discurso elitista da diferenciação. Os brasileiros são tão babacas, que não conseguem entender o princípio básico de mercado: Independente do público alvo ser classe D ou A, o consumidor DEVE ter em mãos um produto honesto,  de qualidade compatível com seu discurso de venda. Eu não tenho que me sentir envergonhada por exigir qualidade em um produto barato. Eu não tenho que pagar a mais pra consumir um produto com dignidade. Isso já deveria estar incluso no pacote, mas as empresas convenientemente oferecem serviços de merda, e como solução pra isso, oferecem produtos caríssimos, sendo que a qualidade é um item que deveria ser básico. O pior de tudo é que tem gente que acha isso justo e ainda engrossa esse coro. Santo problema de auto- estima Batman! Pagar pra um desconhecido te convencer porcamente através de status, que você é especial. Estamos todos muito doentes!

Péssimas notícias: VOCÊ CONTINUA SENDO O MESMO CRETINO DE SEMPRE. Não, você não é especial só porque paga mais caro pra consumir algo comum. Na verdade você tá mais é pra burro!

Pistas Vips, uma caralhada de lixos Gourmets totalmente carentes de qualidade, mas servindo o propósito de manter o consumidor alienado babaca no mesmo patamar de consumidor alienado babaca.

Sinto muito, acho que os paulistanos têm passado tanto tempo trabalhando pra ganhar dinheiro pra sustentar suas vidas Gourmets vazias, que se tornaram robôs reproduzindo comportamentos padrões e discursos clichês e esqueceram de ter senso crítico, de raciocinar, questionar, perceber o quanto estão sendo explorados, enganados, manipulados e o quanto são um bando de fodidos pagando caro pra que algum desconhecido espertinho massageie seus egos e tente convencê-los de que eles são únicos e excepcionais. Sério gente? Sério mesmo?

Todos queremos ser especiais, todos somos especiais…

Especiais… ESPECIALMENTE IDIOTAS!

Que me perdoem os amantes das pipocas Gourmets, paletterias do caralho a quatro, Hamburguerias da puta que pariu, bolinhos da casa da mãe Joana, mas em 2015 sejamos diferentes, em 2015 sejamos menos idiotas, que aprendamos a investir nosso dinheiro suado conquistado às custas de muito sapo engolido, em experiências mais engrandecedoras. Nem que paguemos um bom psicologo pra nos ajudar a resolver nossa síndrome de vira-latas que fica rodeando, abanando o rabinho , esperando receber restos de gente que só puxa nossa coleira, porque nós voluntariamente nos dispomos a utilizá-la.

Liga o Bluetooth ai, deixa eu te mandar um pouquinho de espírito questionador!

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