Diga-me como trata as pessoas com quem vai pra cama e eu te direi se já amadureceu ou não.

Dia desses, me bateu uma saudade imensa de um cara de quem fui amiga,e decidi que era um bom momento pra contatá-lo pra falar sobre amenidades e quem sabe marcar de se ver pra dar um abraço desses típicos de amigos e matar a saudade. Sequer me passou pela cabeça naquele momento,a lembrança de que ficamos uma porção de vezes(pra vocês notarem o quanto os episódios com sexo foram importantes pra mim).

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Mantivemos uma “relação” um tanto inusitada, dessas que se andam juntos pra cima e pra baixo e que se ressalta o tempo todo que somos apenas amigos, mesmo quando ninguém perguntou. Ele ressaltava nossa amizade com tanta veemência que eu adorei a idéia, e acatei aquilo como se fosse verdade absoluta, tanto é que eu mal recordava que existia sexo além da tal amizade que ele tanto anunciava. Então, quando o convidei pra algo, e ele disse que nunca soube como lidar com mulheres com quem não transa, que não tem e não gosta de amizades femininas, e que quando quer sexo, busca meios que não careçam de uma interação posterior, eu achei no mínimo esquisito:

E eu?

Eu só consegui me fazer uma pergunta:

Se não existiu amizade entre nós, o que foi aquilo que rolou tempos atrás e que ele dizia pra todo mundo que era amizade?

Um namoro? Casamento?E NINGUÉM ME AVISOU????

NINGUÉM ME AVISOU QUE EU ESTAVA NUM RELACIONAMENTO PSEUDO AMOROSO PRA EU SIMPLESMENTE ACABAR COM TUDO, FUGIR PRAS COLINAS???

Por mais presunçoso que possa ser o comportamento desse meu amigo, ele é muito comum entre os homens. Esse lance de manter contato com ex ficantes é um pouco complicado, pois demora um tempo até que ambos se convençam que o que restou foi uma amizade genuína, não o interesse em uma nova transa, uma nova ficada. E parece que por mais que nossa intenção seja realmente amistosa e não envolva nenhuma conotação sexual, quanto mais tentarmos provar que não queremos, mais levantaremos suspeitas sobre o contrário.

Bem semelhante ao comportamento exposto acima, são os caras que após o sexo casual, passam a trabalhar com metade de suas capacidades: Se tornam menos atenciosos, menos gentis, mais frios e ressaltam o tempo todo que aquilo foi só sexo e que não querem envolvimento, nem romance, nem uma foda fixa. Quer dizer, uma foda esporádica até vai, mas mesmo no sexo esporádico, tratam de ser impessoais temendo que a parceira entenda aquilo como algum vinculo emocional.

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Só não avisaram pra eles que sexo meus amigos, independente de ser uma noite só, ou de ser pra vida toda, sempre inclui envolvimento emocional, nem que dure até a gozada.

Pra uma vagina lubrificar, para um pau enrijecer se faz necessário o mínimo de envolvimento emocional, talvez nem no outro, mas no momento, o que pra mim é quase a mesma coisa.

Talvez essa frieza e distanciamento, seja apenas um atestado de que os homens adeptos disso, façam parte daquele grupinho machista que separa mulheres pra casar e pra transar,  talvez  sejam apenas um desses homens(não menos machistas) que acreditam que mulheres são frágeis, querem compromisso sempre e por isso têm sempre a obrigação de protegê-las inclusive da ilusão e de um coração partido, como se mulheres fossem sempre frágeis e fizessem sexo somente para procriação .

Esse pensamento um tanto arcaico acaba prejudicando as interações homem/mulher de um modo geral, pois na ânsia de não alimentarem sentimentos indevidos, as pessoas deixam de se entregar por inteiro, deixam de liberar a intensidade tão inerente do sexo, independente de ser sexo casual ou não.

Essa síndrome de galinhas assustadas, que fogem diante do menor sinal, acaba por  tornar um de monte de gente em  meia boca, fazendo sexo meia boca.

Sexo antes de tudo é troca, é doação, é sempre amor, nem que seja amor por nós mesmos. Altruísmo de forma tal, que dando prazer obtemos o nosso próprio prazer, e é impossível mergulhar num sexo desses se regulando, preocupando-se demais com que impressão quer causar, no sexo pensamos menos e sentimos mais, é cheiro, tato, paladar, é instinto.

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As pessoas são todo um universo, um universo delicioso demais, fascinante demais pra abandonarmos tão precocemente, logo após o orgasmo simplesmente porque estamos assustados demais com a possibilidade de um (quase) relacionamento.

Essas amarras, esses medos, essa mania de já ir pra cama pensando no depois, regulando o que pode acontecer depois, só contribui pra um sexo superficial,e tem coisa pior do que qualquer coisa superficial? Muitas vezes a gente até reconhece o ser humano maravilhoso além do corpo que levamos pra cama, mas acabamos perdendo a oportunidade de fazer toda a situação evoluir pra uma amizade sólida e sem segundas intenções(ou não), simplesmente porque  já estamos com o pensamento fixo de que o sexo casual só pode evoluir pra namoro , casamento ou algo que o valha.

Creio que aprender como conduzir este tipo de situação, faça parte do processo de maturidade de um homem, e se entregar cem por cento em tudo que se faz, mergulhar nas relações sem medo, por mais rasas que elas sejam, seja um grande sinal de que este homem já evoluiu o suficiente, se tornou corajoso o suficiente.

Esse medo do desconhecido, essa insegurança em passar por situações em que nem se sabe se são boas ou ruins, toda essa ansiedade em saber sempre como se comportar, são juvenis demais, amadores demais.Quando penso em seres humanos adultos, sempre imagino pessoas que pulam de abismos esperando não cair, assim, apenas pra sentir a brisa no rosto,e esse comportamento  defensivo , essa mania de dizer “ não se envolva”, sem sequer analisar se envolvimento é bom ou ruim, se o outro lado quer de fato se envolver.

Que coloquemos o coração em todas as nossas ações, e que sejamos adultos o suficiente pra cuidar desses mesmos corações, se algo sair errado.

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2 comentários

  1. Pois é, Estela! Acho engraçada a maneira pela qual muitos homens tentam tornar o sexo “impessoal”, como se isso fosse possível…Regula-se a quantidade de afeto e de carinho – afinal, isso é coisa de namorados- ; regula-se o tempo juntos pós-orgasmo; regula-se tudo rsrs.
    Também já saí com caras que passaram a me tratar de forma super seca após termos transado e que só me tratavam bem quando queriam sexo novamente, por isso, corroboro totalmente o que você disse: eles nos veem como incapazes de transar sem que haja compromisso e nos tratam de forma seca por temerem que nos apaixonemos. Falando em compromisso, também acho a mania de rótulos bastante engraçada, parece que as pessoas da sociedade moderna não sabem curtir uma relação afetiva sem rotulá-la, o que torna, na minha opinião, tudo muito pesado e complexo.
    Enfim, também acho que sexo exige entrega total e confiança, mesmo que momentâneos; sem isso, fica engessado, morno, embora nunca ruim rsrs, pois não existe sexo ruim rs…
    Acabei meio que repetindo tudo o que você falou rsrs, é que eu não poderia concordar mais com o texto! Beijos.

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