As nossas algemas invisíveis

Não é incomum, mesmo entre pessoas mais pobres, ouvir algum comentário negativo sobre quem optou por levar uma vida simples. O mais comum é acusar a pessoa de ser acomodada, vagabunda e coisas desse tipo, tudo isso porque foi feita a escolha de viver com aquilo que se é essencial, sem grandes extravagâncias, sem roupas de marca, telefones caríssimos, nem carros do ano.

O grande problema, é que o fútil e essencial têm se confundido há algum tempo, e vivemos em uma sociedade que não só incentiva o consumo do fútil,como condena e discrimina qualquer pessoa que vive alheia ao Status Quo.

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Somos pressionados desde crianças a crescermos, estudarmos, sermos adultos bem sucedidos financeira e profissionalmente, e esta questão é tão super estimada, que não corresponder a essas expectativas do mundo sobre o que somos, nós transforma imediatamente em seres perdedores, fracassados, e quando cientes da nossa derrota, frustrados.

Sem percebermos, calçamos toda a nossa vida num modelo de sucesso pessoal, muitas vezes sem sequer questionar se de fato almejamos aquele sucesso porque ele nos supre, ou se almejamos porque nos fizeram acreditar a vida inteira que é aquilo que precisamos para nossas vidas.

Perdemos tempo e mais tempo desempenhando funções que não são essenciais, nos desperdiçamos, nossa saúde, nossa felicidade, nossa vida executando trabalhos sem sentido em grandes corporações , unicamente porque nos fizeram acreditar que precisamos daquele telefone caro que faz muito além das ligações que precisamos, daquela televisão gigantesca do qual sequer temos tempo pra assistir porque passamos muito tempo fora de casa, daquele carro com motor possante que jamais exploraremos porque vivemos parados no transito, todos nós, juntos, rumo ao emprego que nos sacrifica, e que só é essencial pra que mantenhamos nosso perfil de cidadão otário padrão.

Quando falamos sobre o que é essencial para o ser humano, nos referimos a comida, saúde, lazer, qualidade de vida, e se analisarmos a fundo todas essas questões, percebemos que não precisamos sacrificar nossas existências, nem procurar um padrão tão suntuoso pra ter todas essas necessidades sendo supridas.

É claro que existem muitas pessoas que fizeram a escolha de viver de ostentação e preencher o vazio de suas almas com toda sorte de produtos palpáveis, e são apenas escolhas, tentemos não condenar, mas quando uma pessoa consegue o equilíbrio pra entender exatamente o que ela precisa pra ter uma vida boa e digna, e consegue resistir a todas as pressões que o mundo faz , e manter essa simplicidade alheio à todas as opiniões negativas sobre isso, então este sim é um sujeito livre. A falta de ambição, a simplicidade e o conformismo diante de uma vida rústica não devem ser marginalizadas, nem ridicularizadas. Ridicularizados devem ser todos aqueles que sequer conseguem observar as algemas que os aprisionam, e entram num ciclo vicioso de levar uma vida que não escolheram, num trabalho que não apreciam, ganhando um dinheiro pra pagar necessidades que não foram eles que criaram, pra viver uma vida infeliz e mostrar pra gente que não se importa, aquilo que não se é.

Bem sucedidos não são os donos de Iphones,carros importados, nem detentores das roupas de marcas caras pra ostentação,bem sucedidos são aqueles que vivem sem nada disso, são felizes e realizados ainda assim, esta é a verdadeira liberdade, quando um homem consegue perceber que não é a falta de dinheiro que o aprisiona, e sim o próprio dinheiro.

No dia que conseguir me libertar das cobranças constantes da vida sobre isso, e conseguir me conformar com a vida de modo simples, ai sim eu digo que sou de fato um ser humano evoluído, bem sucedido.Enquanto isso, não me dou ao direito de criticar um cidadão que chegou num estado de auto-suficiência tal, que consegue reconhecer realmente o que constitui sua humanidade, sem sofrer influência de qualquer visão negativa à respeito daquilo que ele é e vive essencialmente.

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