Entre eu e ela, sempre você.

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Quando você chegou, ela já estava aqui, me acompanhando desde sempre,e continuou depois que você foi embora.

Se me conheço bem, me acompanhará pra sempre, porque ela sou eu, e eu sou ela, impossível desassociar as duas coisas, e nem eu tenho vergonha de assumi-la, mesmo nessas épocas em que felicidade é pura ostentação.

Sei lá, ela sempre me alertou que grandes demonstrações são carentes de significado, e eu acredito nela. Acredito piamente.

…Mas tudo está mais estranho que o normal, as coisas não se tornaram iguais a antes, eu tentei fingir que o passado não estava lá, que já não existia, mas foi impossível, o passado parece me rondar a todo tempo, parece me bater na cara, me chamando de covarde, me lembrando que mesmo ele não estando lá, eu tenho que ter coragem pra voltar atrás e encará-lo.

Não se sinta importante! Quando você chegou, ela já estava aqui, e permaneceu depois que você partiu, a dinâmica da minha vida não mudou por causa de você.

Entre mim e minha solidão abriu-se um espaço, e mesmo hoje não é possível saber se eu e você éramos mesmo tão iguais, ou se de tanto compartilharmos gostos, reclamações e romantismos, nos contaminamos um do outro de tal maneira, que já não era possível identificar quem é quem;

Aliás, quem é você?Você existe? Existiu?

O passado já nem é, já nem era, nem existe mais…

Mas vive rondando…

Mas não se sinta importante, nada mudou drasticamente desde que você partiu, nem mesmo ela, ela já estava aqui antes de você, e permaneceu quando você se foi, mas ficou aquele espaço, aquele espaço onde cabe uma pessoa, um universo todo, mas que nunca foi preenchido:

Fome que nada alimenta;

Solidão entre milhões de pessoas;

Felicidade que nunca vem;

Satisfação que não existe…

 

E o passado já não está lá, e se não está lá, não existe…

Não existe mas vive rondando, passando no vão entre mim e minha solidão, evidenciando um espaço que nunca é ocupado, que nunca é preenchido por ninguém, como se não houvesse gente apta o bastante, como se ninguém me entendesse o suficiente ou pudesse me oferecer real companhia…

Como a sua…

Mas não se sinta especial, é apenas um vazio desses que todo ser com o mínimo de humanidade sente, apenas saudade de algo que nunca existiu, porque o passado não existe, o passado já nem é, o passado não está lá…

Aquela música que eu amava e que hoje me incomoda, não é sua, é apenas um devaneio romântico na minha cabeça, que calhou de ter trilha sonora, que calhou de ser a sua, aquela música que você estragou, apenas porque era igual a mim, e sendo igual a mim, também a amava.

 

Mas não se sinta importante, quando você chegou ela  já estava aqui, e aqui ela permanece depois que você partiu, e entre mim e ela, companheiras inseparáveis, existe um espaço, e quando o vento passa, cria um assovio, uma espécie de canção melancólica, dessas que falam passado, de coisas que não mudam e não existem;

Coisas que não deveriam doer, mas doem.

Coisas do passado, que já não está, mas que me obriga a encará-lo do mesmo jeito.

Não que você seja importante, mas entre mim e ela, existe um vão, onde ainda encaixa você, perfeitamente.

 

 

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