O contrário de amor é o egoísmo

Todo mundo quer uma história de amor complicada com um fim feliz. Quando não se tem do que reclamar , se inventa.  A proximidade criada a partir do conflito…

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Estamos em uma época de amores distorcidos, estão chamando muitas atitudes de amor, mas se analisarmos a fundo, notaremos a contradição por trás dos atos.

Os equívocos já começam quando o amor é calçado em uma série de dependências emocionais, conveniências, quando o indivíduo resolve manter um relacionamento pela dificuldade em lidar com a própria companhia, encarar a própria solidão de frente, ou por alguma convenção social;

Quando o indivíduo busca no outro o pai, a mãe, o provedor, a muleta, tábua da salvação, ou qualquer outra coisa que não seja a figura companheira.

Quem não conhece algum casal com ciúmes doentio? Quem não conhece a namorada controladora?

Quem não conhece um homem manipulado?

E há quem chame comportamentos assim de amor: Se afastam da família, se afastam dos amigos, não há vida sem o outro, não há individualidade, não há privacidade, não há intimidade que não seja compartilhada, e até os pensamentos seriam invadidos se houvesse possibilidade para isso.

Os olhos ganham melancolia, e dizem por ai que tudo isso é amor.

E há quem diga que ciúme doentio é amor, mas a realidade é que está calçado muito mais na falta de confiança no próximo, na necessidade de controlar o outro, do que num sentimento nobre.

E que pessoa que ama tem a  necessidade de estar sempre por perto do outro? Quão inimigos podem ser um homem e mulher em um relacionamento, que a simples ausência traz impreterivelmente a desconfiança de uma traição? Amantes ou inimigos atrozes?

Quando uma pessoa precisa afastar o “ser amado ” dos amigos, da família e de todas as coisas que ele gosta apenas  por capricho, pra mandar quem é que manda, onde é que mora o amor?

Quando uma pessoa é tão manipulada, cerceada e criticada em todos os seus atos mais humanos e simples, quando é que resta espaço pra essa pessoa ser amada? Onde é que mora o amor pelos outros, por si próprio?

Uma pessoa que não suporta a própria companhia, que não consegue amar a si próprio, consegue amar outra pessoa?

Uma relação desigual, onde existe hierarquia e não igualdade  e objetivos iguais, é realmente um namoro? Um casamento?

E dizem por ai que ciúme é demonstração de amor. Quem ama cria a infelicidade do outro?

Quem ama prende? Quem ama mata lentamente através da crítica, das exigências,do comportamento automatizado , forjado apenas pra se adaptar aos caprichos fúteis do ser amado?

Em relacionamentos conturbados, onde perde-se a identidade, perde-se a opinião própria , perde-se a espontaneidade e até a si mesmo na tentativa desesperada de agradar o ser amado, ONDE É QUE EXISTE AMOR?

Há muita gente dizendo que os amores de hoje em dia são descartáveis, pois não sobrevivem ao primeiro conflito, à primeira divergência, mas será que não somos mais sinceros quando nos mantemos fiéis a si mesmos, quando não perdemos a si mesmos por qualquer capricho alheio?

Será que precisamos abrir mão da vida de solteiro em nome de um “amor” que não nos agrega nada? Que nos gera sofrimento, apenas pelo comodismo e falta de coragem de passar por um período em que conhecemos a nós mesmos?

Talvez a doente aqui seja eu, porque pra mim o contrário de amor não é ódio, é egoísmo. E quando entramos em uma relação e nossa felicidade é roubada, ou o nosso propósito não é se fazer e fazer o outro feliz, eu dou qualquer outro nome, covardia talvez, mas AMOR, AMOR MESMO, NUNCA SERÁ, ao menos que os tempos tenham mudado tanto que até o amor propriamente dito, se perdeu.

E que busquemos o fortalecimento da relação em outras coisas, e que haja segurança o suficiente pra deixar livre, ciente de que se fez o melhor, e que o outro voltará porque quer, e não porque precisa.

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5 comentários

  1. Seu texto parece mais uma conversa com o próprio eu, não está expondo ideias, mas indagando questões, costume fazer bastante isso quando converso com meus botões.

    Concordo bastante com sua opinião, a sociedade está doente, vivemos numa época cada vez mais egoísta, e esse egoismo todo está presente também no que chamam de amor, a verdade é que estou achando que é muito melhor viver só.

  2. “Seu texto parece mais uma conversa com o próprio eu, não está expondo ideias, mas indagando questões, costume fazer bastante isso quando converso com meus botões.”

    Muitas indagações vem pelo não conhecer, me parece que é este o caso. Quem sabe amar e ser amado não tem tantas duvidas sobre o que é o amor.

    Significado simples:
    “Amor, é o nível ou grau de responsabilidade, utilidade e prazer com que lidamos (é uma atitude nossa e não externa) com as coisas e pessoas que conhecemos. 1 –

    A palavra amor (do latim amor) presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. (tudo no sentido de doação e não de cobrança). O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação. (a palavra vinculo só tem sentido para as pessoas que estão dispostas a mudar, a ceder, a se envolver). É tido por muitos como a maior de todas as conquistas do ser.

    Sem o amor somos pobres! Ele trás um sentimento de liberdade compensador, do fazer por querer, bem diferente disso que esta escrito em seu texto. Prove para aprovar, vc vai gostar.

    Pode até ser que venha a quebrar a cara com falsos amores algumas vezes, mas é normal, todos que tentam acabam errando… Mas triste é não se dar OPORTUNIDADE, não faça isso com sua vida.

    Boa sorte

    • Beatriz, eu indago comportamentos doentios travestidos de amor. Não quer dizer que eu o recuse.
      Tem gente que mata e culpa o amor;
      Tem gente que cerceia e diz que é amor;
      Tem gente que manipula e diz que é amor;
      Tem gente que priva e se priva das melhores coisas da vida e diz que é amor;
      Se recusar a viver um relacionamento nesses moldes, mesmo com toda sociedade fazendo vista grossa (porque prega-se que ninguém se basta,que importante mesmo é estar com alguém), é até um ato de romantismo, de resistência contra comportamentos que distorcem, denigrem o real significado deste sentimento.

  3. Disse tudo!
    Já ouviu dizer que o senso coletivo é louco? Concordo com isso e com vc, A sociedade destoa a realidade quando aceita loucuras em nome do amor. É impossivel acreditar que para ser feliz seja necessário namorar, casar, juntar ou coisa do tipo, precisamos carregar a plenitudade da felicidade dentro da gente, e depois disso optamos por dividir a nossa vida com alguem ou não, mas é opção, não obrigatoriedade.
    Eu corro tb de amor doentio, e olha, já vive alguns assim…Eles se mostraram logo de cara, besta fui eu que me enganei. 😦 Mas confesso que não perco a esperança de encontrar amores verdadeiros, em todas as relações, amigos, familia, tudo e todos… E se um dia eu encontrar alguem com quem eu possa compartilhar a minha felicidade, que esteja nele um amor sereno e liberto de tudo isso que abominamos, caso contrario, tb prefiro ficar sozinha.

    Beijos, Beatriz

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