Preconceito… Em que lugar está escondido o seu?

Disseram certa vez, que para o preconceito racial ser extinguido, basta apenas que seja ignorado.E então ele deixaria de existir e todas as pessoas seriam exatamente iguais em valores, direitos e deveres. Já bem antes disso, ignorá-lo foi a postura que muitas pessoas assumiram,e é a postura que a grande maioria assume até hoje.

Nesse meio tempo, muitos negros continuaram abaixo da linha da pobreza alcançando raramente lugares de destaque no mercado de trabalho, muitas pessoas tiveram o cheiro forte de suas axilas associado ao cheiro de negras, muitos jovens negros foram punidos por estarem na hora errada, no lugar errado e serem confundidos com o ladrão, o estuprador, o drogado, muitos negros de terno foram confundidos com seguranças(afinal um negro só anda de terno numa circunstância dessa, não é?), muito negro em carro importado foi chamado de traficante, e a vida seguiu como sempre foi.

Negro e pobre?Quase uma redundância. Aliás, até que se prove o contrário, e ainda que inconscientemente, muitas pessoas associam os negros à pobreza, marginalidade e sujeira. A grande maioria das pessoas em situação de pobreza, é justamente desta raça, e é ignorando o racismo, fingindo que ele não existe, que as coisas continuam exatamente como há séculos atrás e o cenário não muda. Dificilmente um caucasiano de olhos claros será confundido com algum marginal, a grande maioria das pessoas que compõem os quadros de funcionários das multinacionais são brancas, e esse quadro não muda nem na empresa que conta com o sistema de cotas, que aliás, deixa de forma muito velada, o beneficiado marcado dentre as pessoas  que ali trabalham, como a pessoa pouco capacitada beneficiada por ações populistas”OBAMA-E-HAMILTON-OS-GRANDES-VENCEDORES-DE-2008

Depois que surgiu o sistema de cotas, perante uma grande maioria, o negro, o pobre nunca está em uma faculdade renomada porque se esforçou e tem competência para tal,eles nunca entraram numa empresa boa porque têm o currículo competitivo pra ser os melhores dentre os outros candidatos. Seus sucessos estão sempre associados às cotas, mesmo que eles próprios muitas vezes as ignore.

Dia desses ouvi uma pessoa dizer que tem muita simpatia pela causa dos menos favorecidos. Até ai tudo normal, exceto pela justificativa dele para tal: “Sou ruivo, e portanto componho uma minoria no Brasil, e como toda minoria, fui discriminado, chamado de ferrugem , sofri bulliyng a infância inteira,porque era um menino ruivo e bonito demais ,nenhum dos garotos da minha escola gostavam de mim”.

Achei meio cômica a situação toda, e fiquei me perguntando se todas as pessoas acham que a causa dos negros é simplista assim, tanto porque, os negros não compõem uma minoria, são predominantes em muitos lugares do Brasil, e o fato de estarem em posições de desvantagem, pobreza extrema, baixa escolaridade, serem grande maioria nas cadeias ,maiores vítimas de homicídio, faz de tudo isso mais assustador ainda, porque se somos maioria, proporcionalmente, seríamos maioria a ocupar cargos de liderança, universidades , posições de poder e deter riqueza. Mas não, não é assim que funciona.n-REPRODUO-570

Infelizmente, muitos dos que se dizem simpatizantes da nossa causa, não têm a mínima noção do que acontece na realidade. O que tem de gente por ai que foi educada com babá, em colégios particulares e viagens no exterior, que se sente injustiçada porque acha que o governo aumentou os impostos das suas empresas, pra dar o dinheiro pros pobres, pra fazer “os pobres mamar nas tetas deles”, e enquanto eles gastam em um jantar o que um pobre usa pra sustentar a família inteira, se sentem injustiçados porque acham que trabalharam pra receber todas as regalias que possuem, e se acham mais merecedores de qualquer benefício do que qualquer “pobre vagabundo”.

O que tem de gente por ai que acha que pobre faz filho pra viver de assistência social (sendo que eles próprios não conseguiriam limpar a bunda com o valor pago num bolsa família)defendem que “deveria haver cotas pra brancos nas universidades, que os nordestinos deveriam voltar pras suas terras e que os negros são preconceituosos com os próprios negros”.

A realidade é que muita gente simpatiza com negros. Simpatiza mesmo. Dia desses mesmo uma patroa disse que negros são evidentemente uma raça superior, pois são fisicamente mais resistentes e aguentam com mais facilidade os serviços braçais e até puxar carroça. Nem preciso dizer que ela não é negra.

Preconceito

Muita gente adora nordestino em São Paulo, só não diz que adora só enquanto o nordestino estiver limpando a sua privada ou fazendo sua comida, mas se for na empresa, num cargo de destaque igual ao dele, ou sendo vizinho de apartamento num prédio lá no Higienópolis, ai as coisas mudam de figura.

preconceito-twitter-a

Preconceito? Que preconceito? Carnaval está chegando, paga-se horrores pra desfilar na avenida , numa dessas escolas de samba, “só é um pouco incômodo comparecer aos ensaios e se deparar com um monte de negro favelado e fedido”

“Quer fazer rolezinho faça, mas porque no shopping em que eu frequento?”

O que mais se vê por ai é gente que se diz igualitária, livre de preconceitos, que olha todo mundo de igual pra igual, mas a atitude amistosa se mantém enquanto a nordestina for a mulher que limpa sua privada, o negro for  o cara que comanda a abertura do portão da garagem do prédio e a negra linda for aquela mulher com quem ele transa há tempos mas não assume nem pra família nem pros amigos.

Enquanto os pobres e negros tiverem nas posições que historicamente lhes foram destinadas, tá tudo ótimo, mas basta que a faxineira consiga um carro zero, basta que os pobres passam a ser também detentores das marcas antes reservadas somente pra ricos, basta que negros também gozem de férias no exterior para que o incômodo se instaure, porque a igualdade é linda, desde que alguns se mantenham no topo da pirâmide usufruindo de benefícios exclusivos , IGUAL A COMO SEMPRE FOI.

E devemos ignorar o preconceito, devemos ignorar o racismo… Devemos sim. Devemos ignorar  e deixar as coisas exatamente como estão:amandaregis1_twitter600

Uma faxineira negra atravessando a rua pra se proteger de um “negro mal encarado” que passa por ela ;

Um pobre favelado gastando o pouco dinheiro que tem pra deter a marca de roupa que alimenta o trabalho escravo , ajudando ele mesmo a financiar o abismo social e a segregação das quais ele próprio é vitima;

O cara que saiu da favela e renega o próprio passado, tentando a todo custo, compor o mesmo grupo social que o discriminou;

E a gente achando que a melhor alternativa é mesmo ignorar os preconceitos, sem saber que  fingindo que ele não existe, estamos o alimentando,  rindo de piadas racistas,  chamando uma pessoa brega de “Baiana”, sentindo um medo irracional de qualquer negro com quem encontramos na rua de madrugada, e achando que somos superiores a alguém, e mais dignos de usarmos certas marcas ou frequentarmos certos espaços.

Não são todas as pessoas que sabem ou sentirão na pele o preconceito, mas ao menos, cabe a quem não sabe o que é ser discriminado, que mostre empatia, respeito. Ou ao menos se cale e nos poupe da estupidez que é proferida a esmo e sem nenhum pudor.

Anúncios

3 comentários

  1. O racismo é, por inteiro, uma criação da modernidade, das luzes, da mentalidade científica, ateística e revolucionária, e não das tradições religiosas que formam a base da nossa civilização. Você não encontrará nos dogmas da Igreja, nas sentenças dos Papas ou nas decisões conciliares uma só frase que sugira, nem mesmo de longe, a superioridade dos brancos sobre os negros. Em compensação, encontrará muitas nas obras dos enciclopedistas, de Kant, de Voltaire, de Karl Marx e de Charles Darwin — os gurus máximos das luzes, do progressismo e da revolução. Se Voltaire enriqueceu no comércio de escravos e Kant assegurou que “os negros da África, por natureza, não têm sentimentos acima da frivolidade”, Marx e Darwin, em especial, fazem daquela pretensa superioridade branca um argumento ostensivo em favor do extermínio das “raças inferiores”, que o primeiro considerava necessário ao progresso histórico e o segundo um pressuposto básico da evolução humana, concordando nisso com seu antecessor Herbert Spencer e sendo ecoado fielmente por seus dois principais discípulos, Thomas Huxley e Ernst Haeckel, o que mostra que toda tentativa de separar evolucionismo e racismo é pura maquiagem. Veja o seguinte parágrafo de Charles Darwin:
    “Entre os selvagens, os fracos de corpo e mente são logo eliminados. Nós, civilizados, fazemos o possível para evitar essa eliminação; construímos asilos para os imbecis, os aleijados, os doentes; instituímos leis para proteger os pobres… Isso é altamente prejudicial à raça humana.” Se, após ter espalhado no mundo esse apelo genocida, a ideologia progressista-científica tenta inculpar por isso as épocas anteriores que o desconheciam, não há aí nada de estranho: é da essência do movimento revolucionário inverter a ordem do tempo histórico e, com ela, a autoria das ações, transfigurando a inocência alheia em crime e a sua própria abjeção em motivo de vanglória.
    Lênin viria a resumir esse procedimento-padrão na máxima: “Acuse-os do que você faz.” Isso é assim nos grandes como nos pequenos lances da história desse movimento. Quando nossos políticos de esquerda fomentam a criminalidade e depois a diagnosticam como criação perversa da “sociedade de classes”, ou quando vão construindo o Mensalão em segredo ao mesmo tempo que brilham ante os holofotes como perseguidores de corruptos, não lhes falta a quem imitar. A tradição revolucionária é o perfeito casamento do crime com a mentira.

  2. Ninguém pode negar que há anti-semitismo e que já houve discriminação aos asiáticos. Sempre houve. Mas eles nunca seguiram “líderes” cujas mensagens e atitudes serviram apenas para mantê-los presos à condição de bovinos.
    Normalmente, estes imigrantes asiáticos chegam a um novo país praticamente sem nenhum dinheiro, sem nenhum conhecimento do novo idioma e sem nenhuma afinidade cultural. Eles frequentemente começam trabalhando em empregos de baixa remuneração. Mas trabalham muito. A norma é trabalharem em mais de um emprego. Trabalham tanto que conseguem poupar e, após alguns anos, utilizam esta poupança para empreender. Muitos abrem um pequeno comércio, no qual continuam trabalhando longas horas e ainda continuam poupando, de modo que se tornam capazes de mandar seus filhos para a escola e para a faculdade. Seus filhos, por sua vez, sabem que seus pais não apenas esperam, como também exigem, que eles sejam igualmente disciplinados, bons alunos e trabalhadores.
    Vários intelectuais já tentaram explicar por que os imigrantes asiáticos são tão bem-sucedidos tanto em termos educacionais quanto em termos econômicos. Frequentemente chega-se à conclusão de que eles possuem algumas características especiais. Isso pode ser verdade, mas seu sucesso também pode ser atribuído a algo que eles não têm: “líderes” e autoproclamados porta-vozes lhes dizendo diariamente que são incapazes de prosperar por conta própria, que o sistema está contra eles, que eles não têm chance de ascender socialmente caso não sigam os slogans repetidos mecanicamente por estes líderes e sociólogos, e que por isso devem se juntar sob o rótulo de “vítimas do sistema” e exigir políticas especiais e tratamento diferenciado.
    Aquelas alegações morais que foram feitas no passado por gerações de genuínos líderes negros — alegações que acabaram por tocar a consciência de várias nações e que viraram a maré em prol dos direitos civis para todos — hoje foram desvalorizadas e apequenadas por uma geração de intelectuais, sociólogos e autoproclamados “líderes” de movimentos raciais que tratam os negros como seres abertamente incapazes de prosperar sem a ajuda destes pretensos humanistas, os quais agem abertamente de acordo com uma agenda política de escusos interesses próprios.
    No passado, vários outros grupos de imigrantes também representavam minorias que tinham tudo para ser consideradas oprimidas e discriminadas, pois chegavam a outros países quase sem nenhum dinheiro, com pouquíssima educação e com total desconhecimento da cultura local, mas que não obstante ascenderam por conta própria, muito provavelmente porque não foram “privatizadas” por líderes raciais. Imigrantes e outras minorias que nunca tiveram “porta-vozes” e “líderes” raramente dependeram de subsídios do governo e quase sempre apresentaram altos níveis educacionais obtidos com o esforço próprio.
    Essa postura de dizer aos seus “seguidores” que eles são mais atrasados, tanto econômica quanto educacionalmente, por causa de outros grupos “opressores” — e que, portanto, eles devem odiar estas outras pessoas — tem paralelos na história recente. Essa foi a mesma motivação utilizada pelos movimentos anti-semitas no Leste Europeu no período entre-guerras, pelos movimentos anti-Ibo na Nigéria na década de 1960, e pelos movimentos anti-Tamil, que fizeram com que o Sri Lanka, outrora uma nação pacífica e famosa por sua harmonia intergrupal, se rebaixasse, por influência de intelectuais, à violência étnica e depois se degenerasse em uma guerra civil que durou décadas e produziu indescritíveis atrocidades.
    Será tão difícil entender, mesmo com todos os exemplos históricos, que o progresso não pode ser alcançado por meio de líderes raciais ou étnicos? Tais líderes possuem incentivos em demasia para promover atitudes e políticas polarizadoras que são contraproducentes para as minorias que eles juram defender e desastrosas para o país. Eles se utilizam das minorias para proveito próprio, atribuindo a elas incapacidades crônicas que supostamente só podem ser resolvidas por políticas que eles irão criar. Eles são os verdadeiros racistas.

    • Existe preconceito em toda parte, Aldo. Inclusive, arrisco dizer que o preconceito existente em São Paulo especificamente, é muito mais com o povo do norte e nordeste do que de outros países. É uma ridicularização de tudo, desde o sotaque até o modo de se vestir. Muitos paulistanos se acham uma raça superior. Eu sei porque eu vejo dentro de muitas empresas, inclusive, uma “paulistanização” das pessoas. Como se a livre expressão da cultura local, tornasse alguém pior

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s