Papai quer que eu case. E DAI?

BEM AVENTURADOS SÃO AQUELES QUE AMAM TÃO INTENSA E CEGAMENTE QUE CONSEGUEM VISLUMBRAR O INFINITO AO LADO DE OUTRO ALGUÉM E SE ENTREGAR A UMA ETERNIDADE DE PREVISIBILIDADE VOLUNTARIAMENTE.

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Bem aventurados. Sim, bem aventurados…

Pois eu mesma tenho total dúvida se consigo, mas confesso que queria conseguir, queria me conformar com o óbvio, porque ai a vida seria muito mais fácil.

É provável que estejam todos certos. Sim, aqueles que seguem exatamente o que parece ter sido predestinado pra eles: Nascer, crescer, casar, procriar e morrer. Porque eu simplesmente não me encaixo.

Chega aquela idade em que nos vemos diante da decisão de fazer o que pede nossos instintos, ou obedecer aos “instintos” de uma maioria, e não existe libertação alguma em não seguir os padrões impostos pela maioria, existe sim, uma grande culpa, uma grande interrogação por não saber que peça falta, o que há de diferente conosco, que no auge dos quase trinta anos, ainda não tivemos aquele desejo arrebatador de casar e viver “felizes para sempre, até que a morte os separe”.

Dizem por ai que sou louca, que meu coração é de pedra, mas numa época em que a longevidade dos seres humanos ultrapassa os oitenta anos, loucura mesmo, ao meu ver, é se enfiar em um casamento e condenar a si e ao outro a viver aquela vidinha morna que começa a surgir lá pro terceiro ano de casamento, quando o cheiro do outro já se fundiu com o nosso e não existe novidade, nem desafio, nem desejo, nem tesão… Nem pelo outro, nem pela vida.images (9)

Loucura mesmo é a pessoa ser livre pra poder escolher ser qualquer coisa, um libertino, um avestruz, um escritor, um travesti, um drogado, uma bicicleta, um dançarino de burlesco, ator de farol, ermitão  , andarilho, poeta, professor, criado mudo…  Daí a pessoa vai lá e escolhe ser CASADA!

Santa falta de criatividade, rapaz! Mil possibilidades pra foder a si mesmo, mil modos de se entediar, mil modos de se prender, mil aventuras que acabam mal ,e optar pela solução mais obvia: A rotina, as brigas por causa das contas e dos filhos, o sexo morno, sem tesão, apenas pra cumprir tabela, o olhar tímido pro lado  pra aquela gostosa que não se pode pegar, o conhecer ao outro tediosamente, muito mais do que a si, muito mais do que qualquer pessoa,muito mais do que deveria conhecer qualquer ser humano, e seguir  regras patéticas que visam exclusivamente definir quem manda em quem, quem é mais vaidoso e quem tem imposições e vontades mais babacas do que quem…

Sim, um sadismo, um masoquismo com si mesmo. Uma tortura a qual todo mundo se coloca, sabe que é uma merda completa e que mesmo assim estabeleceram como padrão de vida, padrão comportamental.

Quando a gente pode escolher tanta coisa, quando a gente pode ter tantas facetas, quando a gente pode ser simplesmente feliz… Por que? Por que diabos alguém escolhe ser casado?

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Não! Me deixem com meu brilho nos olhos, com minha malicia, com meu frio na barriga em não saber quem será o próximo amor eterno da minha vida que durará uma semana… Me deixem arder! Não me condenem a uma vidinha medíocre, à tristeza , à hipocrisia, ao padrão…Simplesmente porque disseram por ai que é assim que tem que ser.

Se aos quarenta anos eu não casar, não será um insucesso, não será por não ter sido amada, não será por não ter amado. Pelo contrário, será por ter amado demais, e por ter tanto amor transbordando em mim, pra mim e pros outros, que resolvi não condenar ninguém a ser vítima de um modelo de amor que julguei ideal. O que eu quero é só meu, não tem que ser imposto a ninguém afinal…

Isso sim é bom senso, isso sim é querer bem, isso sim é amar puramente.

E que não me julguem mal, não digam que tenho algum tipo de problema sério, decepção amorosa, dificuldade pra amar, medo de comprometimento, medo de viver.

Ou pensando bem…

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Cada um que arque com as merdas que fizeram das próprias vidas, e enquanto muitos riem daqueles que não são iguais , os “não iguais” riem da falta de ousadia, e do modo como as pessoas condenam a si mesmas a viver uma vida pela metade, só porque todo mundo vive uma vida pela metade.

Nos condenaram à infelicidade, e agora tentam ridicularizar aqueles que se recusam a fazer parte disso…

E A LOUCA SOU EU!

MAS QUE PORRA É ESSA?

Romântica sou eu, que acredito que é possível ter uma surpresa diariamente, que acredito que só depende de nós pra tornarmos um dia melhor que o outro, mais bonito, intenso ,surpreendente e feliz que o outro…

E sinceramente, nesse mundo perfeito que eu idealizo, não há espaço pro óbvio… Não há espaço pra casamentos e nem eternamente juntos…

Ou talvez estejam realmente certos, ainda não existiu nada arrebatador o suficiente, passionalmente violento o suficiente, ou que me enlouquecesse à ponto de querer ser assim tão comum, tão normal.

Por enquanto digo apenas que vergonha não é passar a vida toda solteira, vergonha é achar que precisa de alguém pra ser completo, pra validar as próprias virtudes, pra matar a solidão que se sente porque não consegue lidar com a própria companhia.

Vergonha é precisar que alguém te aceite pra se aceitar.

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