Almas Gemeas

1277568164

Poderíamos perfeitamente ser almas gêmeas.

É provável que sejamos.

E sempre damos “adeus”, mas sempre voltamos

E é sempre como se fosse a última vez, seguida de semanas pensando sobre como seria se de fato pertencêssemos um ao outro, se as coisas não ficassem só nas algemas imaginárias que nos colocamos anos atrás, quando nem sabíamos com o que estávamos lidando. Quando nem saíamos a gravidade dos nossos sentimentos.

No fim das contas os pensamentos se dissolvem no nosso cotidiano, e a gente se perde num conforto seguro, daqueles que a gente só sente quando sabe que terá a pessoa pra sempre.

Poderíamos perfeitamente ser almas gêmeas. É provável que sejamos, porque nas raras oportunidades que temos de revirar as camadas um do outro, só há mais e mais pra ser amado. Somos fortes, perfeitos quando estamos juntos;

Mas não estamos.

E houveram vezes que nosso “adeus” durou tempo demais. Mas o conforto estava lá, a certeza estava lá.

E dessa vez o “Adeus” era real. E ele sentiu, ele soube que era real, porque ele me conhece e sabe quando não estou blefando.

Houve dor, houve incômodo, houve desespero, e houve luta pra reaver aquilo que se perdeu.

E não é reaver apenas por vaidade. É reaver por acreditar que é verdadeiro, é forte o suficiente, e ambos sabemos que é verdadeiro e forte o suficiente. Só não sabíamos que um dia haveria risco de deixar de ser.

Só não sabíamos que não era pra sempre.

E existe uma beleza nesse monte de nada, nessa certeza de que somos tão iguais, de que pertencemos um ao outro. Se nos víssemos assim tão de perto, à ponto de se confundir sobre quem é quem…

Ah, alguma coisa se perderia.

Aquela expectativa, aquela esperança, aquele amor idealizado pra lembrar depois de velhos, talvez deixaria de existir, porque simplesmente estaríamos próximos demais.

E é provável que sejamos almas gêmeas, mas eu tenho que te dizer adeus porque te amo, e porque me recuso a te olhar perto demais e admitir que você tenha qualquer defeito;

Não quero que “a gente” se perca.

Me recuso a te ter perto demais e correr o risco de tornar nossos cotidianos tóxicos demais pra nós mesmos;

Me recuso a te ter perto demais à ponto de perceber que sim, você é real, mas talvez nosso amor não é tão bonito quanto pareceu ser durante todos esses anos em que nos mantivemos presos nas nossas algemas imaginárias, colocadas voluntariamente, só porque sentimos que somos bons em fingir que seríamos perfeitamente almas gêmeas.

Almas gêmeas, mas não únicos um pro outro. Almas gêmeas, mas gêmeas de outras pessoas, outros sonhos, outras possibilidades.

Adeus. Por enquanto, ou pra sempre.

Anúncios

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s