Do amor que mata…

Com certa frequência, ouço algumas pessoas mais velhas falando sobre como o amor de antigamente era mais verdadeiro e mais duradouro;

Sobre como as pessoas eram determinadas a fazer dar certo, sobre como eram mais pacientes, e sobre como os casamentos eram feitos pra ser pra sempre.

Eu na minha visão mais realista das coisas, prefiro dizer que na realidade antigamente os casais eram ligados pela desvantagem feminina com relação aos homens, pois as mulheres não eram independentes, passavam da responsabilidade dos pais pra ser responsabilidade dos maridos e eram não só cuidadas como também manipuladas e controladas conforme o interesse de seus parceiros.

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Com os tempos atuais, as mulheres buscaram suas autonomias na vida e mercado de trabalho, e isso fez com que elas se tornassem um sexo mais forte, sem precisar se submeter ou manter-se em um casamento ruim que as faziam infelizes, exclusivamente porque não possuíam condições financeiras pra manter a si e aos filhos.

Muitas coisas compõem uma relação , e boa parte delas, não dizem respeito a amor, mas sim carência, sexo, dinheiro, dependência emocional e insegurança.

Não é sobre amor, é tudo sobre controle.

Algo muito estranho acontece na mente das pessoas tão logo elas assumem compromisso com alguém.

Imediatamente coisificam a quem deveriam amar, passam a achar que o outro é objeto de suas propriedades e que têm direito sobre a vida, o corpo, os atos e os pensamentos;

Toda sorte de atitude saudável que compõe aquilo que o outro é, e que foi o que fez do outro encantador, imediatamente e violentamente é castrado, aquele que diz “amar”, monopoliza tudo de mais encantador no parceiro, isso se ele não assassina, extingue , assim mesmo, sem dó alguma. O outro deixa de ser aquele universo magnífico, cheio de nuances fantásticas, pra se se resumir a um boneco, um robô que (não) pensa, se movimenta, fala e age conforme os anseios de seu novo dono.

Ah o amor…As pessoas dizem que o amor requer sacrifícios, e essa ideia propagada tem seu fundo de verdade. O grande problema é que as pessoas se unem nos relacionamentos não pra somar, não pra compartilhar aquilo que são e se tornarem melhores à partir da convivência com o outro.

Os relacionamentos se mostram na maioria das vezes, como uma competição pra ver quem castra mais, quem invade mais a intimidade do outro, quem manipula mais a vida do outro, e quem priva mais o outro daquilo que ele é em essência.

Quem machuca mais  quem?

As relações são tão egoístas e destrutivas, que destoam do referencial ideal de amor, amantes e amigos que todos propagam.

Diante disso, é cada vez mais comum que as pessoas fiquem viciadas na solterice e fujam léguas dos relacionamentos, pois diferente daquilo que é propagado, as relações estão longe de ser um mar de rosas, amor e compreensão. Aliás, arrisco dizer que a maior prova de amor num relacionamento, é aguentar justamente o relacionamento, pois o tempo tem um efeito devastador na maioria dos casos.

As pessoas tornam-se ressentidas e infelizes,e acabam contaminando o outro com toda a mágoa que possuem, transformando o relacionamento em um mar de rancor, auto degradação, cobranças, ciúmes e até inveja.

Não existe vida longe do “ser amado”, não existe felicidade longe do “ser amado”.download

É proibido ter diversão , é proibido ter individualidade, privacidade, amigos. E rolam boatos que tudo isso é sobre amor…

Infelizmente, na maioria das vezes, uma eternidade do lado do outro, não é suficiente pra fazer de nós pessoas mais compreensivas e complacentes, pelo contrário, passamos a nos sentir donos do outro, passamos a machucar, cercear, castrar…E então chamamos isso de amor, e justificamos nossa crueldade  e necessidade de controle, chamando de “cuidado”, “amor”, carinho, “ciúme sadio”.

… Mas não é nada além de vaidade;

…Nada além de egocentrismo, egoísmo, insegurança, capricho. Apenas pra mostrar pra nós mesmos que sim, nós temos um brinquedo e mandamos nele simplesmente porque podemos, totalmente alheios sobre a crueldade presente no ato, totalmente alheios sobre como isso nos faz patéticos;

…Totalmente alheios sobre o real significado da palavra “amor”.

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