Entrega voluntária.

Éramos duas almas selvagens ávidas por um domador.

Caças à espera do caçador.
Caçadores à espera da caça…
Foi somente quando me coloquei como presa que consegui capturá-lo.
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Ajoelhada diante dele,  como em uma oração,
Como uma peregrina pedindo perdão, é que o fitei soberbo, me olhando por cima, com ar de superioridade.
Com humildade implorei que ele me alimentasse.
Devorei-o, degustei-o, enquanto ele me olhava como se me fizesse um favor.
Então sua postura foi mudando, seu semblante rígido foi desmanchando numa feição de quase dor.
E pouco a pouco ele foi se  tornando indefeso, sem admitir pra mim em momento algum quem era o mais fraco, mas deixando claro que estava baixando a guarda,que estava aberto, vulnerável demais.
Mas ele precisava do poder, e mesmo sabendo o quanto ele era inofensivo àquela altura, deixei que ele me  possuísse e me inundasse , afirmando pra si que era meu dono, que eu o pertencia…
Que eu estava entregue a ele, marcada por ele por livre e espontânea vontade, simplesmente porque eu escolhi ser a presa, simplesmente porque eu me deixei ser abatida,
Simplesmente porque eu decidi que era dele, e que ele era meu.
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