Pro inferno com a sua pseudo felicidade!

 

alienacao

Arrisco dizer que os seres humanos são consequência daquilo que viveram, a gente nasce, cresce e se reproduz, passando ao longo de nossas existências, por várias situações difíceis.

É…A maioria dos seres humanos passa a vida em uma luta constante.

Luta pra conseguir o que é essencial para própria sub-vivência, mas que ao mesmo tempo, não obtém no momento em que nasceu;

Luta pra se destacar no mercado de trabalho, pra não ser enganado, pra continuar vivo, pra conquistar a tal pessoa amada…

Luta até pra conseguir amar.Simplesmente luta.

Dia desses ouvi um corajoso declarando que a felicidade não existe, que o que existem são momentos felizes e que estes são desproporcionais e não compensam o esforço que fazemos.

Eu concordei com ele, e digo “corajoso”, porque existe toda uma conspiração pra que sejamos felizes, entorpecidamente felizes alienadamente felizes.

As pessoas sempre se esforçam pra mostrar uma felicidade que parece estar aquém do que elas são capazes de sentir, os vilões sempre são vistos como ressentidos infelizes… Dá uma vergonha absurda admitir que se é infeliz, sempre associamos a infelicidade ao fracasso, à falta de capacidade, à preguiça, à falta de Deus.

Os infelizes vivem por ai às sombras, escondidos atrás de um sorriso amarelo, escondendo suas insatisfações nos lugares mais obscuros. Encolhidos, discretos, despercebidos…

E se tiver difícil, sempre tem alguma religião pra nos ajudar no processo de distorção da realidade. Sempre dirão que quanto maior o sacrifício, maior a benção, que nossa existência é feita de desafios e só chegaremos ao fim do arco-iris se lidarmos com as dificuldades com um sorriso no rosto, quiçá agradecendo a Deus e pedindo forças para “superá-los” da melhor maneira possível,quiçá nos conformando com aquele pequeno sopro de alegria que surge vez ou outra, nos trazendo a ilusão de que dessa vez vai, dessa vez chegaremos ao auge…Dessa vez a felicidade vai perdurar.Mas no fim das contas, só estamos exercitando a nossa fé, investindo em uma loteria sem premio.rev.bichos boxer caído

Não vamos deixar de lembrar é lógico, dos vencedores natos. Aqueles  que sempre têm uma mensagem positiva pra dizer. Aqueles que sempre lembram que não é a vida que é difícil, é você que não é apto a conquistar sua felicidade;

Aqueles que por ironia do destino ganharam o peixe e não precisaram pescar;

Aqueles cujo ápice dos problemas da vida, foi quando roubaram aquele celular que ainda nem chegou no  Brasil, ou quando não passaram na prova do colégio particular e os pais cortaram a Disney nas férias.

Esse segundo grupo, eu arrisco dizer que se assim pudesse, não desperdiçaria a chance de ser parte deles, de viver uma vida sem memórias traumáticas… De ser uma pessoa que compreende a felicidade por ignorância e ausência de memórias…

Mas quando olho de fora, quando vejo a falta de capacidade de se compadecer da dor dos outros, a falta de capacidade pra deixar de olhar as pessoas genericamente e perceber que as coisas não são tão fáceis e que nem todos tiveram a fórmula mágica da felicidade…Ahh pensando bem esses seres irritantemente positivos não têm nada de bondosos, tampouco de admiráveis.

Não consigo não ver a superficialidade, a crueldade que mora na falta de empatia das pessoas que acham que a vida é simples e de fácil resolução para todos nós, não consigo não sentir um pouco de pena de quem se vale de um discurso vazio pra justificar o conformismo diante de todas as merdas  que passamos na vida. Não consigo apenas me alimentar de fé e esquecer dos precedentes, de todo um histórico onde luta e força de vontade não foram suficientes.

Há os que nascem felizes , os que esperam ser felizes, e os que correm atrás da felicidade incondicionalmente.

E, ah meus caros!Esse último grupo é um perigo, porque são inconsequentes, cruéis e passam por cima de tudo e todos em nome deste algo intangível.E por que não dizer que é justamente este grupo que vai apontar o dedo pra você, desprezar toda a sua história de vida e de luta ineficaz, e te fazer sentir-se ridículo justamente por não estar sorrindo e por, mesmo após tanta luta, não ter achado essa tal felicidade que eles tanto se gabam por possuir?

E quem garante que isso de fato existe? Quem garante que eles de fato o são?

 

Veja bem, não estou fazendo apologia à tristeza, mas estou fazendo apologia à lucidez, à racionalidade e à revolta diante de um  mundo que não é assim tão colorido, nem belo, nem bom.

 

Sinceramente? Fodam-se os entusiastas! Pro inferno com a tal ditadura da felicidade!

Tá rindo do quê?

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