Pobres,Paulistanos…E babacas!

Mais um feriado prolongado e mais uma oportunidade pra sair de São Paulo. A única diferença é que hoje, antes de partir em viagem rápida, seus filhos deixam mensagens de feliz aniversário, e enaltecem a tão grandiosa Metrópole, “A cidade do progresso, das oportunidades, a terra do dinheiro, o motor que move economia nacional”.

são paulo
Sim, a terra da garoa é a terra em que não importa onde você esteja, sempre haverá alguém por perto. Não interessa se é meia noite de domingo na estação de metrô, se é quatro horas da manhã de sábado na marginal…Nós sempre estamos acompanhados, e que ironia,sempre tão sozinhos, apáticos em nosso silêncio, em nossa soberba e cansaço.
Diferente de outras cidades menores, “menos desenvolvidas”,nós vivemos por anos num mesmo lugar sem sequer saber o nome de nossos vizinhos,nós vamos nos tornando frios, perdendo a capacidade de empatia, simpatia, perdendo a capacidade de interação na vida real.
Nós paulistanos ostentamos o bastante, temos dinheiro o bastante para celebrar a vida, mas é sempre cedo demais, pois é necessário que façamos hora extra pra pagar aquele carro super tecnológico que compramos, é necessário que trabalhemos aos sábados pra pagar aquele Home Theater que ainda não tivemos tempo de usar, é necessário que nos endividemos pra pagar nossas férias no exterior, ou quem sabe lá em cima, no Nordeste, terra abençoada, mas de gente cuja presença em São Paulo, desprezamos.paraisopolis_foto_de_tuca_vieira_livro_as_cidades_do_brasil
Reclamar do transito desta cidade é muito mais do que um clichê, mas ao invés de fazermos algo pra mudar a conduta, nos adaptamos. Se o horário de sair do trabalho é as 19 horas, passamos a sair às 22 horas, se hoje não tivemos uma hora pra nos dedicarmos unicamente a nossos filhos, quem sabe amanhã teremos, quem sabe um dia teremos.
Todo paulistano tem consciência do quão medíocre é a própria vida em São Paulo, mas ele não questiona, não nada contra maré, pelo contrário, ele faz o jogo do sistema,consome como se não houvesse amanhã, compra coisas tecnológicas que não precisa e não tem tempo de usar, pra mostrar àqueles que ele sequer sabe o nome, uma felicidade, que diferente dos outros bens, não pode ser comprada.
…E se a felicidade mora em coisas palpáveis, daí o paulistano também não tem muio tempo de usufruir, porque ele está muito ocupado trabalhando pra pagar todo o lixo que ele consome. O pior de tudo é que se orgulha disso, pior de tudo é que ousa apontar o dedo para o próximo e chamar de vagabundo, aqueles que largaram suas terras natais, muitas vezes paraísos na terra, apenas pra ter a oportunidade de ganhar o pão de cada dia, alheios à ignorância e preconceito que têm que aturar todos os dias, numa selva de pedra que costuma ser extremamente hostil pra seus filhos, adotivos ou não.
E então chega o aniversário de São Paulo, e há quem se arrisque a parabenizar esta cidade como se ela não fosse fria e triste à ponto das pessoas, na menor oportunidade, buscarem rotas de fuga.
E então aqueles Paulistanos da Gema, muitas vezes filhos de nordestinos, esquecem de suas raízes e tecem comentários preconceituosos falando sobre como as pessoas de outros estados atrapalham na nossa cidade, totalmente alheios ao fato de que pra cada ato de ostentação tipicamente paulistano, pra cada costume soberbo típico da classe média paulistana, existe uma pessoa do Ceará, Santa Catarina ou Bahia, que se dispôs a vir a São Paulo em busca de um sonho, que muitas vezes não passa de uma ilusão, e que são essas pessoas que dão o sangue e suor pra que os paulistanos tenham conforto ostentando aquilo que consideram ideal, mas que não passa de ouro de tolo.superlotado
Eu ouso questionar a qualquer paulistano que seja, a raiz de sua família, e arrisco dizer, sem ter medo de errar, que são poucas as famílias que nasceram e se constituíram em São Paulo sem a influencia de outros estados, outras culturas.
E tem Paulistano que tem a audácia de se sentir superior aos outros exclusivamente por ter nascido aqui, pois não tem sequer a sensibilidade para entender que é justamente a pluralidade, a capacidade de acolher pessoas de diversas partes do Brasil e do mundo, que faz a cidade ser o que é.
São Paulo é sim a terra do trabalho.
Trabalho esse que é executado por cearenses,mineiros, gaúchos, paraibanos, enfim, qualquer pessoa que tem a coragem e ousadia de aceitar os empregos aos quais alguns paulistanos se recusam a aceitar e lutam pra garantir o que lhes é de direito. Vendo pelo lado positivo, pelo menos já não existe a ignorância de dizer que as pessoas que aqui chegam, roubam o trabalho de alguém. Muito Paulistano babaca já entendeu que pra se manter no “ápice”, pra conservar o próprio estilo de vida idiota com toda a ostentação, é necessário ter um pedreiro de Minas gerais, uma empregada da Paraíba, um garçom do Rio Grande do sul.

spriopinheiros
Pro paulistano babaca é assim, os nordestinos têm que se fazer presentes quando eles precisam de alguém que lhes sirva, mas precisam desaparecer quando eles estão cansados demais, achando a cidade cheia demais.Um paulistano pode cansar da cidade, achar que aqui não se ganha dinheiro o bastante e ir pra Europa tentar a sorte. Ele vai até reclamar se ele for discriminado no exterior por ser brasileiro;
Um paulistano pode cansar da poluição e do Stress daqui e querer ir passar as férias no ceará, na Bahia, em Pernambuco. Sim, podemos ir pra lá, deixar um rastro de lixo e destruição, e nessas horas estas terras são muito boas.Mas por um momento, dentro do caos urbano de São Paulo,só por um momento, se um nordestino ousar sair da margem da sociedade e ocupar um bom cargo numa empresa,se um nortista ousar cruzar a frente de um paulistano ,aí ele gera revolta, porque na cabeça dos paulistanos babacas, o nordeste é bom, mas os nordestinos são dispensáveis.

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Nós Paulistanos nos sentimos tão fodas no alto de nossa superioridade, que nos achamos únicos, nos achamos magníficos. Ficamos tão alienados na nossa mentalidade pequena, que comemos o pão de queijo de manhã, a feijoada às quartas feiras, a pizza nos fins de semana, e ainda assim ousamos dizer que somos nós, paulistanos da gema,a raça dominante, aqueles que carregam o resto do Brasil nas costas.

 

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