Vamos lá! Acabemos de uma vez com isso!

Os mais tradicionais certamente dirão que os tempos mudaram, que as paixões dos dias de hoje são frívolas, superficiais e não sobrevivem ao primeiro conflito, à primeira dificuldade.
Mas eu penso que as relações de antigamente eram sustentadas com base em coisas totalmente alheias a amor e outras mazelas, e é pelo simples fato de termos liberdade para começar e terminar quantas relações desejarmos, que devemos exercitar isso.
Me admira observar casais de namorados unidos há um bom tempo e notar que ali ainda reina a paixão, novidade e companheirismo. Infelizmente, o tempo é o maior vilão dos relacionamentos,muita coisa se perde, as pessoas ficam confusas, os relacionamentos viram amizade, ou adquirem uma espécie de intimidade nociva para o casal. Já não existe conquista, já não existem surpresas, já não existe vida. Os casais passam a se apagar aos poucos, deixam de viver e passam a apenas existir, e aquele brilho que se mostrava presente nos olhos dos namorados no primeiro ano de namoro,dá lugar a uma apatia.
Infelizmente, até chegar ao derradeiro amor, passamos por vários amores, imaginando que serão os últimos e talvez únicos em nossas vidas. Nós não fomos educados pra ficar sós, não fomos educados pra terminar. Aquela cultura de que “se é amor é pra sempre” está enraizada em nós, e é difícil mudá-la.
Dai chega um dia que olhamos pra nossa relação, a notamos morna, sentimos tédio, que é ignorado por um certo tempo, até por anos,85 - Estou indo embora mas uma hora vem o insight e simplesmente ponderamos o fato de que podemos estender aquela situação pra toda uma vida, mas ponderamos também sobre o quão triste é estender uma situação dessas por toda a vida.

O relacionamento fica doente, talvez os dois lutem pra salvar, talvez um dos presentes lute sozinho, e então começa aquele medo aterrorizante da solidão, do sofrimento, das mudanças, do desconhecido, e continuamos mantendo aquele relacionamento (que no fundo sabemos que já acabou), mas cuja mínima hipótese de um fim oficial nos faz morrer de dor, sofrer de dor.

E podemos ignorar por um tempo, podemos postergar o sofrimento do rompimento, sem saber que estamos andando por ai, com um cadáver pútrido, por medo de enterrá-lo, achando que se ostentarmos o tal cadáver por ai, ele retornará à vida. Mas assim como a morte, às vezes o relacionamento chega em um ponto em que não dá pra voltar atrás, o sentimento passou, o tempo acabou, é irremediável …
Podemos postergar as mudanças, sem sequer perceber que tudo mudou, e não, não foi rápido, foi tediosamente devagar,como algo que queima pouco a pouco, lentamente, e já não existe fogo,já não existe amor suficiente pra manter as coisas;
Podemos então, pra não ficarmos sós, não terminar o relacionamento, apenas pra evitar a solidão, sem saber que no fundo já estamos sozinhos, abandonados, lutando numa guerra que já acabou, e não teve vencedores;
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Podemos tentar amar por dois, salvar o relacionamento por si só, ignorando o fato de que a pessoa já está em outra vida, com o pensamento avante, e nós ficamos lá, sozinhos, estagnados, perdidos em algum lugar do passado.
E assim, quando nos damos conta de que os esforços são em vão, que o tempo não volta , e que nossa vida é um monte de fragmentos que sempre serão esquecidos, é que tomamos coragem e aceitamos o fato de que haverá dor, haverá sofrimento e loucura, mas haverá também alívio, e haverá um grande baú onde guardaremos as memórias e para o qual recorreremos vez ou outra , apenas pra revisitar o passado e rir de nós mesmos, e de nosso desespero diante de uma situação que num futuro muito distante, encararemos com simplicidade.
Por enquanto é o fim, tem que ser feito, é o caco de vidro mergulhado na na nossa carne. Sim, aquele que mantemos nos ferindo, nos provocando dor por anos a fio, até tomarmos coragem e passarmos pela dor derradeira de arrancá-lo de nós, abrindo uma ferida que dói desesperadoramente, mas que em breve se fechará e será apenas uma cicatriz, isso é se não desaparecer de nosso corpo, como se nunca tivesse existido.
Por hora devo dizer é que se há o vislumbre de um final, que vamos logo, acabemos já com isso, mexamos de vez na ferida.

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