Ensaios sobre a loucura

van gogh

Dia desses me acusaram de louca. Eu estava pronta pra me sentir lisonjeada até receber um conselho para “procurar um médico”,então percebi que aquilo não era um elogio, que pra pessoa, assim como pra muitas outras, é ideal que minha suposta loucura seja curada. Como se meu jeito fosse vexaminoso ou nocivo.
E então pensei sobre as diversas pessoas magníficas que conheci na minha vida, sobre suas peculiaridades e excentricidades, e percebi que todas elas tinham em si uma dose de loucura, que não por coincidência, eram o que as diferenciava, o que as tornavam únicas e inesquecíveis.
Apesar de tão diferentes entre si, notei algo em comum dentre todos esses loucos: A solidão.
Num mundo dúbio, com valores estranhos, com todas essas tecnologias, redes sociais e tudo o mais, criamos um suposto conforto para todos os indivíduos, e ao mesmo tempo que interagimos com o mundo todo virtualmente, vamos criando um muro de isolamento no mundo real. Vivemos a era da superficialidade, em que se é essencial colecionar “amigos”, pois faz parte do pacote “Ser humano bem sucedido” , ser uma pessoa socialmente ativa, mas a realidade é que poucos nos conhecem em nossos íntimos, poucos conhecem aqueles segredos que não ousamos contar nem pra si mesmos diante do espelho,poucos de fato nos amam acima de todas as coisas, apesar de nossas “loucuras”.
E então vem a solidão…Sim, a solidão que nos faz passar dias em silêncio nada constrangedor, ponderando sobre as coisas do mundo e sobre as coisas de si mesmos, resgatando o que é do nosso instinto, o que é original, animal… A solidão, essa vilã que potencializa nossos comportamentos mais puros e excêntricos, e que nos torna mal vistos diante da sociedade, que nos faz perder nossa conexão com o mundo.
A solidão que nos afasta da humanidade, daqueles comportamentos que reproduzimos sem ter ciência se é da gente ou é apenas repetição, a solidão que nos coloca mais em contato com nosso lado animal, e ao mesmo tempo, que nos tira a mania de se comportar como ovelhas que vão onde todo o rebanho vai, que vestem, ouvem, pensam, amam e sentem como todo o rebanho faz.
E então eu vos digo que nesses anos de isolamento, que fiz o que tive vontade, que senti, que segui meus instintos, que consegui reconhecer em mim o que era realmente meu, e não o que me impuseram… É, eu fiquei um tanto louca mesmo, assim como diversas pessoas que admirei muito ficaram um pouco loucas também, e a realidade é que isso me fez tão pura que não sei se quero abrir mão de tudo isso seja lá por quem for, não sei se quero ser normal, não sei se quero ter um milhão de amigos e me contaminar do clichê que eles são, quando eu posso simplesmente ser um universo de pensamentos, controversos ou não, quando posso viver e morrer várias vezes, quando posso transar ou fazer amor, me inebriar , me dopar com sobriedade, ser menina ou menino, caça ou caçador…
Eu só quero ser pura, e até iria a um psiquiatra, mas não pra ele me curar.

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