Por enquanto te amo eternamente

Rompimentos_virtuais
E então passamos nove meses trancados e sozinhos, e quando nascemos, à medida em que vamos crescendo fisicamente, intelectualmente, espiritualmente…Por ironia vão incutindo em nossa mente, a ideia de que somos totalmente dependentes,vulneráveis,almas avulsas buscando por nossas gêmeas.
Já muito cedo vemos a si mesmos buscando desesperadamente por quem nos complete,e então achamos e o encaixe é tão perfeito que a gente tem certeza que é pra sempre, até perceber que o pra sempre é tempo demais, até perceber que a morte vem pra todos.

Quando o fim chega iminente, e as metades não se encaixam, romper é tão inaceitável quanto um câncer que vem sorrateiro nos sorver a vida, e é lutando pra viver, pra manter o eterno, eterno, que as coisas simplesmente acabam.
Nossa metade já não é parte do que nós somos, nossas lembranças são fragmentos de uma vida que não mais reconhecemos, e é assim que aqueles por quem matávamos e morríamos, tornam-se ilustres desconhecidos.
É naqueles lapsos de momentos em que estamos realmente sós e conseguimos reconhecer nossa solidão e nossa incompletude sem pressa de preenchê-las com nada ou com ninguém, que a gente simplesmente parte e deixa partir, perdoa e pede perdão pelo simples e corriqueiro fato de não corresponder e de deixar de ser correspondido.
Até que exista uma próxima metade, ou não.

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