Os cinquenta tons da estupidez feminina.

principe

Desde muito pequenos, homens e mulheres são educados de modo a acreditar que um Príncipe é sempre o que a ala feminina deseja. É sempre assim, nós mulheres desde as épocas mais remotas, procuramos supervalorizar nossos atributos físicos, nossa pureza, para poder elevar nosso preço de mercado e nos mostrar dignas do homem que tenha condições de pagar por isso.

Nossas mães, ainda que inconscientemente, nos ensinam isso, a mídia dissemina isso, este desejo de ter o Príncipe encantado, é quase um instinto, de tão antigo que é e de tanto que ainda reverbera.

O grande problema é que a moeda de troca das relações, ainda é o dinheiro, alta posição social e tudo o mais, e isso coloca nós mulheres, falando a grosso modo, em posição de produtos, ou de putas simplesmente. Pior do que ser vistas como putas, é ser tratadas e desrespeitadas como tal, a mim é ultrajante, mas me parece que muita mulher gosta disso e até se orgulha.

Atualmente, pra encabeçar a lista de contos de fadas moderno, está o tal do Cinquenta Tons de Cinza. Eu perdi horas de vida, digo ,dediquei alguns dias à tortura, digo, leitura deste Best Seller que nada mais é do que uma versão picante e bem mal escrita, sim, acreditem, muito pior do que qualquer livrinho de banca de jornal,as autoras dos livros Bianca e Julia são verdadeiras filósofas perto deste Cinquenta tons, esta é que é a verdade.

E daí, dado o alarde em torno da história, conclui algumas coisas:

Primeiro que a mulherada de hoje em dia não está lendo porra nenhuma, o que baixa totalmente o nível de exigência delas, e as faz conseguir ler sem se incomodar com a escrita pobre e vocabulário repetitivo, e pasmem(!), até se excitar com um festival de palavras que beira o patético: Gente, pelo amor de Deus, “Picolé de carne sabor Christian Gray”, isso excita quem? Nem o bozo que é adepto de piadinhas sem graça!

Agora o que me preocupa mesmo, é que tem um monte de mal comida mulheres por aí, querendo um Christian Gray pra chamar de seu…

Diga-me o que desejas e eu direi exatamente quem tu és…

E então a história fala de uma menina sem graça,com problemas de auto estima mas que atrai a atenção de alguns admiradores,  e que acaba se sentindo atraída por um homem rico/lindo/rico/misterioso/rico/poderoso/rico e blah blah blah…

Até aí normal, não serei hipocrita, um homem rico e bonito pode ser de fato bem interessante.  Mas me pergunto sobre a necessidade da autora de criar uma personagem virgem(como se a “pureza” fosse algo que se equiparasse ao que o cara pode oferecer financeiramente), oferece um contrato(resume a tal da Anastacia a um objeto passível de preço), e a dominada e dominador na relação sado que os dois mantém, são definidos à partir do cara, que pelo que consta na história, pode comprar absolutamente qualquer coisa, inclusive a conivencia da tal Anastácia.

Dai eu me pergunto sobre Príncipes e Christians Grays, caso ambos não fossem ícones de poder e riqueza…Mulheres, essas duas qualidades de homens continuariam sendo bom referencial pra alguma coisa?

E vou além: Qual é a qualidade péssima de sexo que vocês têm feito pra achar que se colocar na posição de dominada que apanha e é manipulada, pode ser algo excitante pra alguém?

Se o cara da história fosse um pobre fodido, vocês fariam uso da  Lei Maria da Penha.Qual o preço da dignidade de vocês mulheres que andam sonhando com um Christian Gray?

Porque casais ícones da igualdade entre homens e mulheres, não excita vocês? Até quando se colocar na posição de mulher estúpida, frágil e submissa lhes é interessante?

…Daí vocês vem me dizer que a Tal da Anastacia goza em todas as transas do livro, e eu vos digo mais uma vez que se isso é fator dominante pra desejar um homem semelhante ao  SR Gray, é porque a vida sexual de vocês beira o medíocre. Dedos, meninas, usem os dedos, mas não tragam pra sua cama, um homem que acha que pode comprar seus corpos, suas vontades e  dignidades, seja lá por qual preço.

Já vivemos em uma sociedade e somos educadas de modo a reduzir a si mesmas, nossos hímens, nossas vaginas e o que fazemos com elas, a um valor mometário, já nascemos numa educação predominantemente machista, e então essa mulherada emancipada, nascida numa era de mudanças, onde tem muita coisa pra acontecer, se encanta por um personagem que nada mais é do que um ícone desta educação retrógrada que recebemos…

Bem, quando um homem quer uma mulher pra tratar como Princesa, ele só está mostrando uma vontade de manter as coisas como no século passado.Antigamente nós mulheres éramos tratadas como empregadas/adorno/buracos para deposito de esperma, e me pergunto se é assim que as mulheres querem/pretendem continuar sendo vistas.

Me pergunto o que passa pela cabeça de uma mulher que cobra que os homens de hoje em dia devem ter comportamento de Christian Gray, comeram merda?

Quando uma mulher quer achar um Príncipe, em tudo que ele representa, ela só mostra o retrocesso pelo qual a ala feminina vem passando, ela só mostra que não se importa com a posição inferior em que a mulherada é colocada há muitos e muitos séculos, ela supervaloriza futilidades, superficialidades, mas eu continuo achando que existe uma pequena quantidade de mulheres cujos desejos não podem ser comprados, porque são gratuitos.

E o caminho pra evolução de muitas mulheres ainda é árduo, e pior, a maioria não sabe nem pra onde está indo.

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