Se despedir pra quê?

despedidas

Rompemos um relacionamento e quando comentamos disso com alguém nos deparamos com um profundo respeito, um tratamento semelhante ao dado àqueles que estão em uma situação de luto.

A realidade é que quem já passou por isso, sabe que de fato um rompimento é uma situação onde morre um relacionamento, morre a pessoa com quem nos relacionávamos e morre a nós mesmos. Deixamos de ser o “namorado da fulana” ,  pra ser um universo isolado, com nome próprio e quem sabe, uma identidade individual.

…E todo esse processo de morte própria é tão dolorido que é impossível passar por ele sem ficar só um pouquinho maluco. A gente não sabe bem como lidar com a dor, os sentimentos são complexos, a gente sente um amor tão forte, que ele transcende até virar ódio, e então aquela pessoa cujo universo conhecíamos tão bem,vira uma perfeita desconhecida, e nos é tirada como se rasgassem nossa carne e cortassem um pedaço do nosso coração. No entanto,nos  mantermos firmes, por alguma convenção social  fingimos amnésia e passamos a viver como se aquilo jamais tivesse acontecido, como jamais tivéssemos sentido aquela dor.

Mas a realidade é que cada pessoa que passa por nós, nos transforma pra sempre, de modo irremediável, e nós somos a vida inteira  educados a somente valorizar as pessoas quando elas nos serve de alguma forma. O relacionamento acaba, acaba automaticamente qualquer responsabilidade, tem que se acabar qualquer sentimento, e o desespero pra se desintoxicar do outro é tão grande, que tentamos esse processo de esquecimento na base do fórceps.

Mas ai eu me pergunto sobre a necessidade de sentir essa dor, de arrancar da nossa  vida alguém que nos foi tão importante, e penso sobre a necessidade dos seres humanos de se nomearem donos das outras pessoas, e diante de um rompimento, passarem por todo aquele ritual de desprendimento que dá a entender que simplesmente estão dispensando, desprezando e abrindo mão de quem até então, lhes era tão essencial.

Pondero sobre a necessidade de acorrentar e libertar alguém, e percebo que a liberdade pode ser muito mais aprisionadora do que nomear alguém como nosso namorado, amante, esposo, amigo ou seja lá o que for.

Prenda uma pessoa, depois faça-a livre para ela escolher com quem estará, e automaticamente ela se prenderá a você, por livre e espontânea vontade. Porque  é quando percebemos que alguém não precisa de nós, não morrerá sem nós e tem diversas opções pra escolher, que automaticamente queremos ser os escolhidos, os preferidos, queremos nos sentir especiais, a opção melhor dentre todas as opções. A velha mania humana de querer diferenciação.

Só nos prendemos aos outros por vontade própria, e então não é necessário nomeações ou qualquer demonstração pública. Basta conexão, sintonia …E o outro saberá.

E como seria bela a vida se tudo fosse assim, se as coisas não fossem tão decisivas, tão maniqueístas.passaro Se o mundo que já é triste o bastante não fosse esse festival de chegadas e partidas, se tivéssemos que lidar com a morte somente quando ela fosse irremediável, e não quando sentíssemos a necessidade de excluir alguém de nossas vidas pra fingir uma superioridade e auto suficiencia que não existe, pra fingir um orgulho humano que não deveria nos despertar orgulho algum.

Seria ótimo se as pessoas fossem como pássaros, voando por aí, voltando vez ou outra pro lugar de antes, sem o menor pudor.

 

 

 

 

 

 

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2 comentários

  1. Vc sabe transformar sentimentos em palavras! So de ler seu texto senti muitas emocoes! Vc eh uma pesssoa muito sensitiva e sensivel! Qdo eu publicar um livro vc escrevera ou entao vc devia publicar seu proprio lvro com seus contos e cronicas

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