Sobre amor, ciúmes e outras doenças de gente normal.

Dia desses ouvi em algum lugar que ” Os relacionamentos que são eternos só o são porque as pessoas não admitem largar os   “amados” e dar a eles a chance de serem  felizes ao lado de outras pessoas”.

Dai  lembrei também dos frequenteS olhares de reprovação quando eu digo que não sou ciumenta. E quando sinto que de fato não sou, me sinto um ET, pois parece que pra maioria das pessoas isso é o comum, amor e ciúmes estão basicamente atrelados.

Daí pondero sobre o modo estranho como as pessoas amam: Geralmente reduzem o  outro a um objeto de adoração a algo de suas propriedades, e à partir do momento em que se assume um compromisso, se reconhece um aval pra cercear, privar e controlar a vida do “amado”, pronto! Está feito!amor livre

Todas aquelas boas intenções que temos quando começamos um relacionamento, vão por água abaixo. Em pouquíssimo tempo nos tornamos metade do que somos pra nos enquadrar na moldura que o outro criou, e então passamos a ser menos sinceros, pois tudo aquilo que à princípio despertou a atenção e admiração do outro a ponto tal deles decidirem compartilhar a vida deles conosco, não mais vale, e então por medo de “perder” aquilo que nunca foi nosso, optamos por fazer o jogo de enganar e se enganar.

Perde-se a identidade,perde-se a liberdade,perde-se o direito de sair com os amigos, não interessa o quão saudável e inofensivo isso  possa ser. À partir do momento em que se assume um compromisso, muitas pessoas entendem que o mundo do outro tem que girar em torno delas, que a outra pessoa a estará traindo se possuir uma vida, uma motivação pra ser feliz na companhia de outra pessoa, que não ela.

…E ciúmes é algo mesmo tão primitivo que até os animais sentem.E não se enganem, ele é assim mesmo, irracional, injustificável, e está muito mais ligado à necessidade de dominar, controlar e se sobressair diante do outro, do que ao medo de perder em si. O medo de perder é até positivo, nos coloca na adrenalina constante de nos esforçar pra conquistar a mesma pessoa todos os dias, mesmo com toda a influência externa pra que tudo se perca.

Não sei em que mundo dos ursinhos carinhosos eu cresci, mas num ato de ciumes eu vejo tão pouco pra chamar de amor que na maioria das vezes, se esse ciume é destinado a mim, me sinto absurdamente ofendida.

Ofendida pois numa demonstração de ciúmes a pessoa não está mostrando que me ama, mas sim que me considera um objeto cuja opinião é nula e cujo poder de decisão também é. Logo, não interessa se esse tal objeto em questão(no caso eu) tem sentimentos, e se tem, não faz a mínima diferença, desde que respeite o ego e a vaidade do outro.

Se uma pessoa nos deixa inseguros à ponto de sentir ciúmes,  até onde vale a pena passar por cima dos próprios valores, se degradar em nome de alguém que não nos faz sentir confortáveis?

Até onde é inofensiva a ilusão de se dedicar  a alguém, estar com alguém, totalmente alheia e indiferente à vontade dela?

Qual o tamanho da violência que cometemos com si mesmos e quão grande é nosso amor pra que possamos ficar ao lado de alguém que tanto não se importa, que sequer consegue cometer atos que nos inspire confiança e segurança suficientes?

Até onde vale o preço de deitar a cabeça no travesseiro e saber que uma pessoa não está conosco genuinamente porque quer estar?

amar é

Onde mora o amor? Como se mensura e se controla essas coisas?

Quão corajosos e desprendidos podemos ser pra que possamos deixar a pessoa livre pra que possa experimentar quem quiser, passar pelos lugares que quiser, usar a capacidade de julgamento, poder escolher entre ir e partir?

E se ela partir e não quiser voltar? Será que aguentamos? Será que nos revoltamos?Será que a revolta faria sentido?

Até onde vai nossa auto confiança, nossa consciência limpa em saber que estamos fazendo o bastante pra que essa pessoa vá e volte convicta de que somos sua melhor decisão?

Até onde  arriscaríamos abrir a gaiola?

A realidade é que quem ama não pede nada em troca, não é nem egoísta e nem vaidoso e passa por cima de todas as dores pra ser e fazer feliz, chegando ao extremo de deixar partir, se preciso for e se o melhor pra alguém não for ao lado dela.

As pessoas falam de amor e confiança, mas doa-se pouco , e exige-se um infinito de sacrifícios, como se o amor fosse assim denso à ponto de carecer de tanta complexidade.

Pede-se o coração, o corpo, a alma…

A maioria das pessoas diz que quem ama não trai. Mas eu digo que quem ama até trai, e que a maior provação num relacionamento, não é deixar de se expor pra evitar que as coisas se percam, mas é provar de quem e do que sentir vontade, ir e voltar várias vezes, invadir e expulsar diversos universos e ainda assim olhar pra aquela mesma pessoa, ano após ano e ter certeza que apesar de tudo que você já passou e já experimentou, ela é seu porto seguro, por ela vale a pena perdoar 20 mil vezes os mesmos defeitos, e é pra ela que você sempre volta e onde você sempre repousa.

E se ela não voltar, o quê que tem? São tantas pessoas no mundo, e uma capacidade tão imensa pra amar…

E àqueles que ousarem apenas experimentar sem dar ao outro o prazer e benefício da dúvida, eu digo que é puro egoísmo;

Sobre aquela história de que quem ama sente ciúmes e não divide…

Ah rapaz, tem gente por aí dizendo que matou por amor;

Tem gente por aí que mantém um casamento por séculos , mas tira a vida pra fazer o parceiro infeliz…

Tem gente que diz que não ama, mas em compensação, compromete a própria vida e a própria felicidade se doando pro outro…

E quem poderá medir meu amor com outra régua que não a minha?

Quem escreveu e documentou sobre qual amor é mais verdadeiro, fiel e digno de ser considerado?

Que me desculpem os neuróticos, mas na minha humildade recolho meu coração vagabundo e meus sentimentos genuinamente crus, totalmente alheios ao mundo e a uma sociedade que dentre outras coisas, também quer padronizar o modo como eu amo os meus e quem não é meu também;

Vos digo, sobre amor, eu quero do meu jeito.

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4 comentários

  1. Ao contrário do que muitos acreditam,o amor não existe como algo materialista(ou seja aquela idéia de que nascemos predestinados para amar e ser amado por tal pessoa)tão pouco aquela idéia de que amaremos uma pessoa para sempre,muitas vezes elas se toleram….O amor é uma construção que se faz através da convivencia,vc pode até não gostar de tal pessoa,mas conforme for vivendo com ela descobre coisas que nem imaginaria existir.
    O problema é que muitas vezes vemos a outra pessoa como POSSE,digna de toda nossa raiva e obsessão,hoje se vive mais para o parceiro do que para si próprio,perde-se liberdade de ser individuo,mas msm assim nao cansamos de correr atrás disso,quando estamos sozinhos queremos um companheiro,ai cansamos do trabalho que isso dá e queremos ficar sozinhos novamente,não condeno isso,pois faz parte das emoções humanas,por mais que negamos,irá existir,ai cabe a sua coragem de escolher….Prefiro viver como a ÁGUIA!
    Pois como diz Nietzsche”Amamos mais o desejo do que o objeto desejado”

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