Até que a sanidade nos separe.

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E então chega aquele momento na vida de uma mulher, em que a sociedade, a família e os amigos decidem que ela tem que casar.E então , onde quer que ela vá, sempre tem um filho da puta pra perguntar sobre o noivo, e caso ele exista, perguntar sobre quando ocorre o casamento, os filhos e o caralho a quatro.

Ousemos nós mulheres, no auge de nossos vinte e cinco anos de idade, numa realidade em que a longevidade beira(ou talvez ultrapasse)  os oitenta, dizer que não queremos casar, que não sabemos se vamos casar,  isso é suficiente pra que sejamos atacadas por uma série de argumentações absurdas, acusadas de lésbicas, marias machinho, sem coração, etc etc.

A impressão que tenho é que uma mulher, só é mulher e feminina o suficiente, se está atrelada a um homem de alguma maneira, ou está disposta a amá-lo, respeitá-lo e servi-lo, até que o diabo os carregue ou morra de tédio.

No entanto porém, assim como sou tratada como um Et, quando aos meus vinte e cinco anos digo que não tenho a mínima vontade de casar, devo ressaltar também que considero as mesmas garotas romanticas  desesperadas por serem noivas, um bando de ETs.

Quando uma vida não é o bastante pra que conheçamos todas as facetas do mundo, quando as possibilidades de amores, auto conhecimento e sexo são as mais deliciosamente infinitas possíveis, não consigo encontrar uma coerência para a pessoa , na flor da idade, jurar amor e fidelidade eternos e decidir que está disposta a passar meia dúzia de décadas, quiçá a vida inteira, ao lado de uma pessoa só.

E há quem diga que antigamente é que os casamentos eram de verdade, que não ruíam por qualquer problema, daí pondero sobre o fato de que antes a tradição em torno do casamento era tão engessada, e as mulheres eram tão dependentes dos homens, que os casamentos tinham como alicerce não o amor, mas a conveniência e resignação daquelas que não tinham por onde correr.

Infelizmente não aprendi que a verdade e a recompensa moram no sacrifício. Não consigo encontrar uma boa razão pra passar por cima das minhas convicções e ter de exercitar minha flexibilidade e paciência pra lidar com todas as adversidades tão comuns em um casamento.

Não consigo entender porque a disposição em descaracterizar a si mesma, abrir mão da própria individualidade, viver grudada a alguém que não nasceu siamesa à gente, se faz essencial para o crescimento de um ser humano…Eu sicneramente ainda não consigo enxergar onde está o benefício disso tudo. E também não consigo enxergar o que existe de errado em uma pessoa ser auto suficiente o bastante pra viver muito bem sozinha, lidando diariamente unicamente com si mesma e com o processo de crescimento pessoal e espiritual, que, caso ela deseja, ela precisa passar.

Quando a gente conhece os bastidores de um casamento, percebe-se que muitas coisas os mantém, e pouco dessas coisas é de fato, amor. E estamos acostumados a viver num mundo de superficialidade tão latente, que independente de nos sentirmos realmente aptos pra dividir nossa vida e cotidiano com alguém, é comum que em algum momento, quem sabe aos vinte e cinco anos, nos vejamos inclinados a tomar a decisão de, mesmo sem querer genuinamente, jurar amor e fidelidade até que a morte nos separe, por todos os dias das nossas vidas.

É provável que eu me case, e é certeza de que, quando ocorrer, será porque estou louca o bastante, convicta o bastante ,pra jurar que é pra sempre. E é mais provável ainda, que no dia que isso acontecer, eu  pondere sobre a pureza do amor que estiver sentindo, e busquer a minha auto suficiência emocional, financeira ou seja ela qual for,pra que eu possa viver em minha casa e meu amado na casa dele(que não é a minha), para que nos encontremos quando der vontade para usufruirmos somente e exclusivamente do nosso amor, inebriados pela ilusão que alimenta a paixão, e que não precisa ser destruída por nenhuma realidade sórdida, de discussões por conta de água,educação dos filhos, controle da televisão , futebol com os amigos, ou alguma mania sórdida que não deveria ser exposta nem em uma sala vazia de frente pro espelho.

Ou talvez eu seja como a grande maioria, ignore essa história de amor, e lá quando eu tiver velha e acabada, com pouca vitalidade sexual, escolha um homem também velho e acabado, com poucas perspectivas pra quem lavarei as cuecas e com quem dividirei a loucura e mediocridade do que restou da minha vida.

No entanto, tá bem cedo pra isso, me restam umas boas décadas pela frente e uma boa dose de paciência pra aturar os comentários retrógrados de gente que acha que não existe futuro sem casamento.

Não meus senhores, pra mim o casamento não é tão iminente, nem tão obrigatório quanto a morte.

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2 comentários

  1. Voce pertence a uma geração de mulheres narcisistas e egocentricas, isso é muito triste…Mas concordo com vc num ponto: A maioria das mulheres se casa por puro interesse, pra arrumar um proverdor material/emocional, ou seja, por conveniencia e comodidade. Mas isso não é por pressão social, é genético, instintivo e aposto que vc já sentiu isso. Alguma mulher é capaz de amar algo que não seja o próprio umbigo?

    • O Egocentrismo meu caro, é uma característica que está no DNA do ser humano, não necessariamente no DNA da mulher. Colocar a culpa de todas as merdas do mundo nas mulheres, é característica de misóginos. Reconheçamos nossa pequenez como seres humanos, que é mais bonito. O ideal é cada um fazer por si. Não defendo a soberania feminina sobre os homens, defendo a igualdade, inclusive no que se refere à sensatez. Guerra dos sexos é um lance tão demodé, não acha?

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